Endocrinologia e Hepatologia em Convergência: Um Olhar Atual sobre a Doença Hepática Metabólica

A crescente prevalência da obesidade visceral e da resistência insulínica coloca a fibrose hepática no centro das atenções da medicina moderna. Em entrevista exclusiva ao Jornal do Médico, a endocrinologista Dra. Patrícia Figueirêdo — conferencista do 1º Congresso Caririense de Gastroenterologia e Hepatologia — destaca os avanços no diagnóstico precoce e no tratamento integrado da esteatose hepática metabólica. Ela também ressalta a importância de uma abordagem interdisciplinar entre a endocrinologia e a gastroenterologia para qualificar o cuidado clínico e formar médicos mais preparados para lidar com a complexidade das doenças metabólicas e hepáticas.

 

Jornal do Médico – A obesidade visceral e a resistência insulínica são fatores críticos no desenvolvimento da fibrose hepática. Quais os principais avanços no manejo integrado dessas condições que os participantes poderão conhecer em sua conferência?

 

Dra. Patrícia – Os participantes terão a oportunidade de conhecer os avanços mais recentes no diagnóstico precoce e no tratamento integrado da esteatose hepática metabólica, especialmente no contexto de obesidade visceral e resistência insulínica, que são motores centrais da progressão para fibrose hepática. Vamos discutir desde a estratificação de risco não invasiva, com uso de escores clínicos, até o papel emergente dos agonistas duplos e triplos de incretinas (como tirzepatida e retatrutida), que têm mostrado resultados promissores na redução da gordura hepática e regressão da fibrose. Além de compreender a interface entre resistência insulínica, inflamação e metabolismo hepático. O objetivo é oferecer uma visão prática, baseada em evidências, para o tratamento integrado do paciente com obesidade e risco hepático.

 

Jornal do Médico – Como a abordagem multidisciplinar entre endocrinologia e gastroenterologia pode melhorar os resultados em pacientes com esteatose hepática e fibrose progressiva? O que o médico da região do Cariri pode aprender no congresso para aplicar na prática clínica?

 

Dra. Patrícia – A interface entre a endocrinologia e a gastroenterologia é fundamental no cuidado do paciente com doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD). Uma abordagem conjunta permite intervenção precoce nos fatores de risco modificáveis, como obesidade, síndrome metabólica e diabetes tipo 2, ao mesmo tempo em que se monitora a progressão hepática com ferramentas clínicas simples e acessíveis. O médico da região do Cariri encontrará no congresso subsídios práticos para implementar protocolo de rastreio metabólico-hepático, interpretar exames laboratoriais e de imagem com foco em detecção precoce de fibrose, aplicar mudanças terapêuticas baseadas em diretrizes atualizadas, com foco na realidade local, respeitando limitações de acesso e recursos. Essa troca de saberes reforça o papel do clínico bem informado como protagonista na prevenção da cirrose e suas complicações, melhorando prognóstico e qualidade de vida.

 

Jornal do Médico – Que conhecimentos essenciais sobre essa interface entre endocrinologia e gastroenterologia destacaria como fundamentais para a formação dos acadêmicos de medicina? E como o congresso pode agregar nesse aprendizado?

 

Dra. Patrícia – A formação do médico precisa acompanhar as transformações das doenças crônicas modernas. A doença hepática gordurosa de origem metabólica é hoje a principal causa de doença hepática crônica no mundo, e está intimamente ligada à endocrinologia metabólica. Entre os conhecimentos essenciais para os acadêmicos, destacaria a compreensão dos mecanismos de resistência insulínica hepática, interpretação de marcadores bioquímicos hepáticos em contexto metabólico, conhecimento sobre fármacos antidiabéticos com benefício hepático, a importância da intervenção precoce no estilo de vida e na composição corporal, O congresso, ao promover o contato direto com especialistas de diferentes áreas, oferece ao estudante a vivência da medicina integrada, mostrando como a interdisciplinaridade se traduz em melhores desfechos clínicos. Ele também favorece o despertar para pesquisa, inovação terapêutica e medicina personalizada, elementos fundamentais na formação do futuro médico.

 

Sobre a entrevistada

Dra. Patrícia Rosane Leite de Figueiredo
Endocrinologista e Metabologista CRM/CE 9249 | RQE 14859

Graduada em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 2004. Concluiu residência médica em Clínica Médica pela Escola de Saúde Pública do Ceará / Hospital Geral de Fortaleza (HG-Fortaleza) e residência em Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Possui mestrado em Bioprospecção Molecular pela Universidade Regional do Cariri (URCA) (2012) e é atualmente doutoranda no Programa Multicêntrico de Pós-Graduação em Bioquímica e Biologia Molecular (PMBqBM).

É Coordenadora Geral do Curso de Medicina da Universidade Federal do Cariri (FAMED/UFCA) e Coordenadora do Módulo Abordagem do Paciente. Atua também como Presidente do Colegiado de Curso e do Núcleo Docente Estruturante (NDE) da FAMED/UFCA.

Médica endocrinologista da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, com atuação clínica e acadêmica voltada para doenças metabólicas, endocrinologia clínica e educação médica.

 

Serviço:
Data: 01 e 02 de Agosto de 2025
Local: FAMED UFCA Barbalha
Inscrições clique aqui

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