A Medicina como Missão no Sertão: A Trajetória de Impacto da Dra. Eliane Montezuma em Camocim

Summit Jornal do Médico® Mulheres na Saúde, Edição Ceará 2026
Reportagem: Argollo de Menezes
CEO, Editor Jornal do Médico®, Jornalista DRT-CE 4341 e Membro SOBRAMES-CE | Instagram: @jornaldomedico

Natural de São José da Macaoca e formada pela UFC em 1979, a Dra. Maria Eliane Araújo Montezuma (CRM/CE 3028) dedicou mais de quatro décadas à saúde de Camocim e região. Pioneira no acompanhamento de doenças crônicas e idealizadora de projetos comunitários, ela é uma das homenageadas pelo projeto Summit Jornal do Médico® Mulheres na Saúde. Nesta entrevista, a Dra. Eliane, cooperada da Unimed Sobral, relembra seus passos desbravando o interior e reforça que ser médica é um chamado que atravessa a técnica para alcançar o coração.

Jornal do Médico® — A senhora nasceu no sertão cearense e, no final da década de 70, chegou a Camocim, onde construiu uma história de enorme impacto na saúde da região. O que a influenciou a escolher a medicina e como foram esses primeiros passos na profissão ao desbravar o interior do Estado?

Dra. Eliane — Nasci no sertão cearense, em um pequeno povoado onde não havia qualquer tipo de assistência médica. Desde muito cedo, convivi com o sofrimento de pessoas queridas que adoeciam sem ter a quem recorrer. Vi mães aflitas, idosos desassistidos, crianças enfrentando doenças simples que se agravavam pela falta de cuidado. Aquela realidade me marcou profundamente. Foi ali que nasceu minha decisão: eu queria ser médica para mudar a realidade do povo mais carente. A medicina, para mim, nunca foi apenas uma profissão — sempre foi missão e compromisso social.

“Eu queria ser médica para mudar a realidade do povo mais carente, para que ninguém precisasse enfrentar a dor e a insegurança de estar doente sem apoio.”

Jornal do Médico® — E como foi esse início em Camocim, em uma época de menos recursos?

Dra. Eliane — No final da década de 70, encontrei muitos desafios. O interior exigia coragem, dedicação e, sobretudo, proximidade com a comunidade. Os recursos eram limitados, mas a vontade de servir era imensa. Desbravar o interior do Estado significou aprender todos os dias e fortalecer laços com a população. Construí minha trajetória com base na confiança, no cuidado contínuo e no compromisso de estar onde as pessoas mais precisavam.

“Desbravar o interior do Estado significou aprender todos os dias, adaptar-se às dificuldades e fortalecer laços com a população.”

Jornal do Médico® — Hoje a senhora é uma referência no acompanhamento de diabetes e hipertensão, destacando-se por iniciativas como o “Grupo Caminhar Faz Bem”. Por que escolheu focar nessa área e como enxerga a importância de ir além do consultório?

Dra. Eliane — Percebi o quanto as pessoas mais idosas sofriam para conseguir atendimento adequado. O diabetes e a hipertensão são condições silenciosas, que exigem acompanhamento próximo. Escolhi focar nessa área porque entendi que não bastava tratar números — era preciso cuidar de pessoas, de rotinas, de hábitos e de histórias.

“Entendi que não bastava tratar números — era preciso cuidar de pessoas, de rotinas, de hábitos e de histórias.”

Jornal do Médico® — Essa percepção de que “não bastava tratar números” a levou a criar o grupo de caminhada? Como essa atividade transforma o controle das doenças na prática?

Dra. Eliane — Isso surgiu da prática. Eu percebia que muitos não conseguiam seguir as orientações sozinhos. Faltava incentivo. Em 2009, fundei o grupo Caminhar Faz Bem. Hoje reunimos cerca de 100 pessoas. Além das atividades físicas, promovemos convivência e pertencimento. É impressionante a transformação na disposição e na alegria de viver. Isso reforça minha convicção de que promover saúde vai muito além da prescrição médica. É estar presente, criar oportunidades e caminhar junto.

“Promover saúde vai muito além da prescrição médica. É estar presente, criar oportunidades e caminhar junto.”

Jornal do Médico® — Com tantas décadas de dedicação, a senhora vivenciou inúmeras histórias marcantes. Poderia compartilhar conosco algum caso que representa bem essa sua paixão pela Medicina?

Dra. Eliane — Há uma, em especial, que sempre me emociona. Uma senhora de 65 anos no grupo mantinha-se sempre calada, como se estivesse ali apenas de corpo presente. Percebi que não se tratava apenas de timidez, mas de um sofrimento silencioso associado ao isolamento social. Passamos a trabalhar a comunicação e a interação dela de forma intencional.

Jornal do Médico® — Como foi o processo para resgatar a autonomia dessa paciente a partir daquele momento?

Dra. Eliane — Foi um processo gradual. Hoje, ela já consegue fazer pequenos comentários e interagir. Esse caso representa a essência da medicina que acredito: aquela que enxerga além da doença, que entende o poder da convivência fraterna e do acolhimento. Muitas vezes, a melhora não está apenas na pressão ou glicemia, mas na recuperação da voz, da autoestima e da alegria de participar novamente da vida em comunidade.

“A melhora da qualidade de vida não está apenas no controle da pressão ou da glicemia, mas na recuperação da voz, da autoestima e da alegria de participar novamente da vida em comunidade.”

Jornal do Médico® — Como ocorreu o seu encontro com a medicina suplementar através da Unimed Sobral e de que forma o cooperativismo médico fortaleceu a sua prática diária?

Dra. Eliane — Aconteceu de forma natural. Ao compreender a essência do cooperativismo médico, percebi que se tratava de algo alinhado aos meus valores. O cooperativismo fortaleceu meu trabalho porque busca garantir melhores condições de exercício profissional. Quando temos estrutura e respaldo institucional, conseguimos oferecer um atendimento mais qualificado, humano e resolutivo.

“Ao compreender a essência do cooperativismo médico, percebi que se tratava de algo alinhado aos meus valores profissionais.”

Jornal do Médico® — Sendo uma das indicadas pela Unimed Sobral para o Summit Mulheres na Saúde 2026, como a senhora enxerga os desafios e oportunidades para as médicas de hoje?

Dra. Eliane — Vejo que vivemos um momento de grandes conquistas. Ser médica é muito mais do que exercer uma profissão. É um chamado que atravessa a técnica e alcança o coração. É o privilégio de entrar na história das famílias e acompanhar gerações. É estudar sempre, mas nunca deixar que o conhecimento técnico seja maior que a empatia. Ser médica é servir. É missão. É entrega. É propósito. É a minha vida.

“Ser médica é um chamado que atravessa a técnica e alcança o coração. É a minha vida.”

Summit Jornal do Médico® Mulheres na Saúde

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