Multivitamínico diário retarda sinais de envelhecimento biológico

Artigo publicado na Nature em 09/03/2026,onde pesquisadores americanos e ingleses afirmam que o efeito anti-idade do suplemento foi maior em pessoas que já eram biologicamente mais velhas do que seus anos. 

Tomar um multivitamínico diariamente pode retardar certos marcadores do envelhecimento biológico, sugere um novo estudo.

A pesquisa, publicada na Nature Medicine, revela que tomar um suplemento diário por dois anos, retardou o envelhecimento biológico em adultos mais velhos em cerca de quatro meses, em comparação com aqueles que não o tomaram.

O efeito foi mais pronunciado em pessoas que já apresentavam sinais de envelhecimento biológico acelerado, ou seja, cuja idade biológica calculada era maior que a idade cronológica.

O objetivo de estudos como este é “não apenas identificar como viver mais, mas também como viver melhor”, afirma o coautor do estudo, Howard Sesso, epidemiologista do Brigham and Women’s Hospital em Boston. Embora seja cedo demais para relacionar os dados a resultados clínicos, “a intervenção com multivitamínicos pareceu seguir essa trajetória ao longo de dois anos”, diz ele.

“Este é um estudo muito interessante e rigoroso”, afirma Steve Horvath, gerontólogo da empresa de biotecnologia Altos Labs em Cambridge, Reino Unido. “O interesse público em saber se os suplementos diários podem realmente retardar o envelhecimento é enorme. Este estudo fornece algumas das evidências mais confiáveis ​​que temos até o momento.”

Retardando o relógio

Sesso e seus colegas, analisaram amostras de sangue de 958 participantes saudáveis ​​do estudo COSMOS, um ensaio clínico randomizado e controlado nos Estados Unidos, com idade média de 70 anos. As amostras foram coletadas em três momentos: no momento da inscrição no estudo, e após 12 e 24 meses.

Para calcular a idade biológica das pessoas no momento de cada coleta de amostra, a equipe analisou cinco “relógios” epigenéticos nas amostras de sangue. Esses relógios são biomarcadores que medem a metilação do DNA, padrões de marcas moleculares no DNA, em locais específicos do genoma. Os níveis de metilação aumentam ou diminuem em locais específicos, de maneira relativamente previsível com a idade.

Os pesquisadores descobriram que a ingestão diária de um multivitamínico, retardou significativamente os marcadores de envelhecimento em dois dos cinco relógios, ambos os quais podem ser usados ​​para indicar o risco de mortalidade.

O efeito benéfico dos multivitamínicos diários sobre os marcadores biológicos de envelhecimento é pequeno, mas “esse tipo de consistência entre diferentes relógios epigenéticos, é exatamente o que se deseja observar”, afirma Horvath, que desenvolveu um dos relógios utilizados.

E “em escala populacional, até pequenas diferenças podem ser significativas”, afirma Chiara Herzog, epigeneticista do King’s College London.

O fato de o efeito ter sido maior, em pessoas que já apresentavam sinais de envelhecimento biológico acelerado, é particularmente interessante, diz Herzog. Se uma intervenção tem um efeito menor em pessoas com idade biológica saudável, “então também estamos entrando no campo de perguntar se estamos apenas retardando o aumento ou se podemos, de fato, reverter o tempo até certo ponto?”, questiona ela.

Ainda é cedo para conclusões

Não está claro por que os suplementos podem ter o efeito antienvelhecimento que esses resultados sugerem.

“É preciso entender o papel mais amplo dos padrões alimentares e da ingestão nutricional, no contexto das mudanças nos relógios epigenéticos”, diz Sesso. “Seria interessante comparar os efeitos de tomar um multivitamínico com os de simplesmente ter uma dieta mais saudável.”

Outra linha de pesquisa que os pesquisadores estão explorando, é como essas mudanças na velocidade do envelhecimento biológico, afetam os resultados de saúde de uma pessoa, e como isso varia de indivíduo para indivíduo. “Acho que esse é o próximo passo mais importante para a pesquisa”, diz Herzog.

“O próprio campo está evoluindo e tentando entender como a epigenética se relaciona com os resultados clínicos”, afirma Sesso. Para que isso aconteça, os pesquisadores precisam de mais dados provenientes de estudos maiores, “mas espero que isso esteja próximo”, conclui.

Link do artigo original: https://www.nature.com/articles/d41586-026-00741-3

Dr. Dylvardo Suliano, Médico Pneumologista e Colunista do Jornal do Médico
Dr. Dylvardo Suliano, Médico Pneumologista e Colunista do Jornal do Médico

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