Julho Amarelo alerta para os riscos das hepatites B e C, que podem evoluir de forma silenciosa e causar complicações graves no fígado
Durante o mês de julho, a campanha Julho Amarelo mobiliza o país para conscientizar a população sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das hepatites virais. Essas infecções, frequentemente assintomáticas por anos, afetam o fígado e podem evoluir para doenças graves, como cirrose e câncer hepático, se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo.
Segundo a Dra. Thaís Guimarães, diretora da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), a hepatite C, por exemplo, pode permanecer sem sintomas por décadas. “Muitos pacientes só descobrem a infecção quando já apresentam complicações hepáticas irreversíveis. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento, que hoje permite a cura em mais de 95% dos casos, e também para interromper a cadeia de transmissão”, destaca a infectologista.
No Brasil, o Ministério da Saúde estima que cerca de 660 mil pessoas vivam com hepatite C crônica e que outras 720 mil estejam infectadas pelo vírus da hepatite B, mas boa parte ainda não sabe que carrega o vírus. Apesar de a vacina contra a hepatite B estar disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as idades, a cobertura vacinal está abaixo da meta em adolescentes e adultos jovens, o que preocupa os especialistas.
As hepatites B e C são transmitidas principalmente por contato com sangue ou fluidos corporais contaminados — em situações como transfusões, compartilhamento de agulhas e seringas, uso de instrumentos não esterilizados em salões de beleza, estúdios de tatuagem e até durante relações sexuais desprotegidas. “As novas gerações, que não vivenciaram a era pré-vacina, muitas vezes não se percebem em risco. Precisamos ampliar essa conscientização”, alerta a Dra. Thaís.
Atualmente, os testes rápidos para as hepatites B e C estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde e dão o resultado em poucos minutos. O tratamento da hepatite C é oral, bem tolerado e altamente eficaz, e a hepatite B pode ser controlada com medicamentos que suprimem a replicação viral e evitam danos ao fígado.
Durante o Julho Amarelo, diversas instituições de saúde realizam ações educativas, mutirões de testagem e orientações à população. A Sociedade Paulista de Infectologia reforça que a detecção precoce é não apenas uma medida de proteção individual, mas também de saúde pública, já que pessoas diagnosticadas e tratadas deixam de transmitir o vírus.
“Nunca foi tão fácil diagnosticar e tratar essas infecções. É fundamental que todos, mesmo sem sintomas, façam o teste ao menos uma vez na vida e mantenham a vacinação em dia. A hepatite viral não espera — mas nós podemos agir a tempo”, conclui a diretora da SPI.
Sobre a SPI:
A Sociedade Paulista de Infectologia, fundada em 1994, tem como missão promover o estudo, a pesquisa e o aprimoramento da infectologia no estado de São Paulo, por meio de eventos científicos, educação continuada e disseminação de informações de qualidade para profissionais e sociedade. Atua ainda como voz técnica para orientar políticas públicas e práticas clínicas alinhadas com a ciência.
Instagram: @spinfectologia






