Dra. Cristiane Rodrigues e o protagonismo feminino de mais de três décadas de pediatria no Ceará

Summit Jornal do Médico® Mulheres na Saúde, Edição Ceará 2026

Referência em Pediatria, Neonatologia e Cuidados Paliativos, a Dra. Cristiane Rodrigues (CRM/CE 4831) integra o projeto Summit Jornal do Médico® Mulheres na Saúde – Edição Ceará 2026. Cooperada da COOPED e com atuação de destaque no Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS), sua trajetória de mais de 35 anos é marcada pela excelência técnica e pelo compromisso com a assistência humanizada no estado.

Jornal do Médico® – A senhora iniciou sua formação médica na década de 1980, período em que a presença feminina na medicina ainda enfrentava muitas barreiras. Quais desafios precisou superar ao longo da sua trajetória na pediatria?

Dra. Cristiane Rodrigues: A década de 80 realmente foi um período muito marcante para a medicina, e para as mulheres não foi diferente. Quando eu entrei na faculdade, a gente ainda via uma predominância masculina muito forte, principalmente nas especialidades cirúrgicas e nos cargos de chefia. A pediatria já era uma área que atraía mais mulheres, por essa associação histórica do cuidar, mas, ainda assim, o respeito profissional exigia da gente uma postura muito firme. O maior desafio, sem dúvida, era provar diariamente a nossa capacidade técnica e de liderança, mostrando que a nossa sensibilidade era um complemento à nossa competência científica, e não uma fragilidade. Além disso, conciliar a formação médica, que é extremamente exaustiva, com as cobranças sociais da época sobre a mulher, exigiu muita resiliência.

Jornal do Médico® – Com passagens por instituições como IPREDE, Hospital Geral César Cals e posteriormente o HIAS, que transformações observou no cuidado à criança no Ceará ao longo dos anos?

Dra. Cristiane Rodrigues: Foi uma verdadeira revolução no cuidado infantil no nosso estado. Quando eu comecei, o cenário era de muita desnutrição grave. No IPREDE, a gente lidava com casos extremos que hoje, graças a Deus e às políticas públicas, são muito mais raros de se ver. O foco inicial era salvar aquela criança da fome e da mortalidade infantil básica. Com o passar dos anos, passando pelo César Cals e chegando ao Albert Sabin (HIAS), eu vi a pediatria cearense se especializar e se modernizar. Nós deixamos de tratar apenas as doenças infecciosas e a desnutrição para cuidar de doenças raras, oncologia pediátrica, cirurgias complexas e prematuridade extrema. A estrutura física e tecnológica dos hospitais melhorou, mas a maior transformação foi a capacitação dos profissionais cearenses, que hoje não deixam a desejar a nenhum grande centro do país.

Jornal do Médico® – Como enxerga o papel da mulher pediatra na construção de uma assistência mais humanizada e sensível às vulnerabilidades sociais das crianças e suas famílias?

Dra. Cristiane Rodrigues: A mulher traz consigo uma capacidade muito intuitiva de acolhimento. Na pediatria, nós não tratamos apenas a criança; nós tratamos a mãe, a avó, o contexto familiar inteiro. Muitas vezes, a doença física daquela criança é só o sintoma de uma vulnerabilidade social muito maior. A pediatra costuma ter uma escuta muito atenta a esses detalhes. Nós conseguimos, muitas vezes, criar um vínculo de confiança com aquela mãe que está exausta, assustada, e que precisa de alguém que valide as dores dela. Essa assistência humanizada passa por entender que a prescrição do remédio só vai funcionar se aquela família tiver condições de comprar, se tiver água potável em casa para diluir a medicação. Então, o nosso papel transcende a biologia; é um papel de advocacia pela criança e de empoderamento dessa família.

Summit Jornal do Médico® Mulheres na Saúde

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