Ruth Cytrymbaum: protagonismo e humanização na oftalmologia pública do Rio

Jornal do Médico®
Reportagem: Argollo de Menezes
CEO, Editor Jornal do Médico®, Jornalista DRT-CE 4341 e Membro SOBRAMES-CE | Instagram: @jornaldomedico

Ruth Cytrymbaum: protagonismo e humanização na oftalmologia pública do Rio.

Especialista em Visão Subnormal e Reabilitação Visual, a Dra. Ruth Cytrymbaum é referência em oftalmologia pública no Rio de Janeiro. Criadora do departamento de atendimento a deficientes visuais no Hospital Miguel Couto, ela une a experiência clínica à atuação como perita judicial. Nesta entrevista para o Summit Mulheres na Saúde, a médica relembra sua trajetória de superação, o pioneirismo no serviço público e os desafios da liderança feminina na medicina.

Jornal do Médico® — Dra. Ruth, o que a levou a escolher a medicina e, posteriormente, a oftalmologia? Como foi a sua trajetória até a especialização e quais os principais desafios enfrentados por ser mulher nesse caminho?

Dra. Ruth Cytrymbaum — Fui levada e atraída pela Medicina através de grandes nomes da Medicina Fluminense que tive como médicos desde a minha primeira infância. Nao eram somente médicos e sim figuras humanas e exercitam a Medicina com amor. Fiquei órfã de Paiva aos 7 anos de idade e com muita dificuldade financeira vi os médicos abrirem mão dos seus honorários e cuidaram do meu pai e de nossa familia.

Jornal do Médico® — A senhora é especialista em Visão Subnormal e Reabilitação Visual. O que a motivou a seguir por essa área tão sensível da oftalmologia, que lida diretamente com a inclusão social do paciente?

Dra. Ruth Cytrymbaum — A subespecialidade descobri quando passei para residencia medica no Instituto Benjamin Constant onde fiquei apenas 3 meses mas foi o suficiente para me sensibilizar a cuidar destes casos.

Jornal do Médico® — Sua história com o serviço público é marcante: em 1999, a senhora criou o departamento de atendimento médico aos deficientes visuais e chefiou o Serviço de Oftalmologia do Hospital Miguel Couto. Como foi esse processo pioneiro de criação e quais os principais desafios de liderar o serviço em um hospital de referência no Rio de Janeiro?

Dra. Ruth Cytrymbaum — Ao retornar da Unicamp onde fiz o curso de extensão universitária em Visão Subnormal voltei determinada a fazer o projeto na Prefeitura do RJ para criar este departamento no hospital Miguel Couto e consegui. Os principais desafios foram a falta de vontade política em desenvolver o serviço e a compra do material necessário para testar. Doei o material para poder trabalhar e o material foi furtado. Fiz um projeto com o Rotary Internacional e compraram todo o material necessário novamente para poder dar continuidade ao serviço.

Jornal do Médico® — Além da assistência à saúde, a senhora atua como Médica Perita. Como a senhora equilibra o olhar clínico de “cuidar do paciente” com o olhar analítico e isento exigido pela perícia judicial?

Dra. Ruth Cytrymbaum — Não se distanciam tanto e não são visões opostas. O olhar assistencial precisa ser analítico e a pericia precisa ser humanizada.

Jornal do Médico® — O projeto Summit Jornal do Médico® Mulheres na Saúde celebra a força da atuação feminina. Diante de uma carreira tão sólida, que mensagem a senhora deixa para as médicas que aspiram a cargos de gestão e liderança, sem perder a essência da humanização no cuidado com o paciente?

Dra. Ruth Cytrymbaum — A gestão feminina não pode perder a delicadeza, a essência feminina se resume ao ato de cuidar e de organizar o entorno. Encontramos muitos preconceitos porque ainda consideram cargo masculino a posição de chefias e comando e muitos homens nao aceitam bem serem chefiado por mulheres. A mensagem é sempre se impor sem jamais perder a elegância e a delicadeza.
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