Reportagem: Irma Lasmar, jornalista MTB/RJ 26110
Coordenação: Argollo de Menezes
CEO, Editor Jornal do Médico®, Jornalista DRT-CE 4341 e Membro Honorário SOBRAMES-CE |
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Em uma conversa exclusiva ao Portal Jornal do Médico®, a renomada oftalmologista Dra. Andressa Guimarães, com mais de 25 anos de experiência, detalha como a inovação tecnológica e o diagnóstico de precisão estão redefinindo a saúde visual. Nesta primeira parte da entrevista, a especialista explica o impacto revolucionário do laser e de novas técnicas cirúrgicas que têm evitado transplantes e devolvido a autoestima a pacientes com quadros complexos.
Jornal do Médico® Rio: Dra. Andressa, qual a importância do oftalmologista para a saúde dos olhos das pessoas?
Dra. Andressa Guimarães: O oftalmologista cuida de prevenir e tratar doenças oculares sérias, a maioria silenciosas, que, quando diagnosticadas cedo, evitam a perda da visão, como por exemplo o glaucoma, que é irreversível. Mas existem outras causas de baixa visual, como a catarata, que são controladas e reversíveis por meio de cirurgia, mais comumente após os 55 anos.
Jornal do Médico® Rio: E quanto ao impacto dessa atenção na fase de aprendizado?
Dra. Andressa Guimarães: Sabemos muito bem que nas crianças em idade escolar é preciso detectar cedo qualquer problema visual, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, pois geram dificuldade de aprendizado. Fazer com que o paciente tenha uma visão nítida permite que ele possa absorver as informações do mundo. Afinal, 80% delas vêm do sistema visual.
“Oitenta por cento das informações que obtemos no mundo vêm do sistema visual. Fazer com que o paciente tenha uma visão nítida permite que ele absorva melhor o conhecimento.”
Jornal do Médico® Rio: Em mais de 25 anos de experiência, quais evoluções tecnológicas você destacaria como revolucionárias?
Dra. Andressa Guimarães: Sem dúvida o laser, usado hoje para uma gama de situações em oftalmologia para a melhora visual. Temos o laser de refrativa, para eliminar o grau do paciente tratando miopia, hipermetropia e astigmatismo. Há o laser para a retirada da cápsula, que pode vir a apresentar opacidade após a cirurgia da catarata, mesmo bem-sucedida.
Jornal do Médico® Rio: O diagnóstico também acompanhou esse salto tecnológico?
Dra. Andressa Guimarães: Com certeza. Com a inteligência artificial, os lasers e os equipamentos de diagnóstico podemos descobrir as doenças cada vez mais cedo. Hoje conseguimos diagnosticar precocemente o ceratocone porque dispomos das topografias dentro dos nossos consultórios, uma situação que não era comum alguns anos atrás, quando só se encontrava uma topografia apenas em grandes centros. Hoje, isso está mais disseminado no país, incluindo o interior. Venho do interior e prezo bastante por uma tecnologia acessível. Os consultórios hoje estão equipados para atender todas as necessidades. Este novo cenário está diretamente ligado à tecnologia miniaturizada, pois equipamentos antes gigantes agora cabem na palma da mão com qualidade superior.
Jornal do Médico® Rio: No tratamento do ceratocone, quando é indicado o anel de Ferrara, o crosslinking ou o transplante?
Dra. Andressa Guimarães: O Anel de Ferrara faz parte da maior gama das indicações, porque pode tratar o paciente com ceratocone precoce ou avançado. Já o crosslinking é indicado quando descobrimos cedo a doença. O ceratocone ocorre quando a córnea fica muito curva e bicuda, com a “bolinha do olho” muito para fora. Uma situação anormal que é preciso corrigir. Se tratamos a alergia do paciente jovem e orientamos a família rapidamente, conseguimos que o quadro não evolua. Se chega um paciente de 12 a 15 anos com grau baixo, indicamos o crosslinking para tornar a córnea rígida e evitar a acentuação de sua curvatura.
“O Anel de Ferrara e o crosslinking tratam o ceratocone em diferentes estágios, evitando que muitos quadros evoluam para a necessidade de um transplante.”
Jornal do Médico® Rio: Existem contraindicações para a cirurgia refrativa?
Dra. Andressa Guimarães: Existem sim, e a principal delas é a córnea muito fina. Se o paciente tem uma córnea com espessura dentro da normalidade, avaliamos com cuidado a necessidade da cirurgia, tendo em vista que o laser diminui propositalmente essa espessura. É preciso conhecer a espessura da córnea original para prever como ficará depois de operada. Antigamente, operavam-se pacientes com graus altíssimos sem conhecer os parâmetros de segurança; eles melhoravam por pouco tempo e depois pioravam porque a córnea ficava flácida. Além disso, a refrativa gera olho seco no pós-operatório por seis meses até um ano. Se o paciente já tem olho seco prévio, tratamos antes. Já o glaucoma não é uma contraindicação, mas o ceratocone é: quem tem não pode fazer o laser de refrativa, devendo, portanto, colocar o anel.
Jornal do Médico® Rio: E sobre o implante da lente fácica e a ceratopigmentação?
Dra. Andressa Guimarães: A lente fácica é a solução para quando a córnea é muito fina e o grau muito alto. Em pacientes jovens que ainda não têm catarata, acrescentamos a lente em frente ao cristalino. Quando o paciente tiver mais idade e precisar da cirurgia da catarata, a lente fácica é retirada para a implantação de uma lente única definitiva. Já a ceratopigmentação é maravilhosa para devolver a autoestima de quem ficou cego ou sofreu algum acidente que deixou o olho branco ou acinzentado. Pigmentamos para que os olhos fiquem idênticos entre si. Não melhora a doença mas devolve a imagem e a dignidade. O paciente relata que volta a conseguir olhar nos olhos das pessoas. Mudamos o modo como ele se vê na sociedade.