CEO, Editor Jornal do Médico®, Jornalista DRT-CE 1950 e Membro Honorário SOBRAMES-CE | Instagram: @jornaldomedico
Presente na construção histórica do SIMRio desde a sua fundação em 2011, a Dra. Maria Júlia Calas traz sua bagagem como ex-presidente da SBM-RJ para capitanear debates urgentes nesta 15ª edição. Nesta entrevista exclusiva ao Jornal do Médico®, a especialista revisita sua trajetória no evento, detalha sua contribuição científica no campo da radiologia mamária com o advento da Inteligência Artificial e reforça seu compromisso com a equidade assistencial ao debater o manejo clínico voltado à população LGBTQIAPN+. Confira a entrevista completa:
Jornal do Médico®: Dra. Maria Júlia, o SIMRio chega à sua 15ª edição consolidado como um dos principais pilares científicos da especialidade no país. Como ex-presidente da SBM-RJ e parte ativa dessa história, como a senhora enxerga o papel do Rio de Janeiro como protagonista no desenvolvimento e no direcionamento da mastologia brasileira hoje?
E o SIMRio reflete exatamente isto. Ao longo de quinze edições, consolidou-se como um espaço de produção e compartilhamento de conhecimento, capaz de reunir especialistas de diferentes regiões do país para discutir ciência de ponta, mas também os desafios reais da assistência. Tenho orgulho de ter participado dessa trajetória, desde o primeiro evento em 2011 na gestão do Dr. Afrânio Coelho onde fui primeira secretária da sociedade.
Jornal do Médico®: Uma de suas aulas abordará as inovações em radiologia mamária. Diante do avanço acelerado de tecnologias como a inteligência artificial, a tomossíntese e a ressonância magnética, qual é o principal impacto que essas inovações trazem para a rotina do mastologista na busca pelo diagnóstico cada vez mais precoce?
Entretanto, é importante destacar que tecnologia não substitui o raciocínio clínico. Ela qualifica a tomada de decisão. O desafio atual do mastologista é saber integrar essas ferramentas de maneira inteligente, utilizando os avanços tecnológicos para reduzir diagnósticos tardios, evitar exames desnecessários e oferecer um cuidado cada vez mais personalizado.
“É importante destacar que tecnologia não substitui o raciocínio clínico. Ela qualifica a tomada de decisão. O desafio atual é integrar essas ferramentas de maneira inteligente.”
Jornal do Médico®: O SIMRio deste ano traz um debate profundamente necessário sobre o câncer na população LGBTQIAPN+. Quais são os principais gargalos e barreiras que essa comunidade ainda enfrenta no cenário oncológico atual e que precisam ser superados pela comunidade médica?
No caso do câncer de mama, observamos lacunas importantes relacionadas ao rastreamento, especialmente entre homens transgêneros e pessoas não binárias. Muitas vezes não existem orientações claras, os protocolos não contemplam adequadamente essas populações ou há receio por parte do paciente de procurar assistência devido a experiências negativas anteriores.
Superar esses desafios exige conhecimento científico, mas também escuta qualificada, respeito à identidade de gênero e compromisso com a equidade no cuidado.
“Superar esses desafios exige conhecimento científico, mas também escuta qualificada, respeito à identidade de gênero e compromisso com a equidade no cuidado.”
Jornal do Médico®: Muitas vezes, a falta de protocolos específicos ou de treinamento adequado afasta pacientes minorizados dos consultórios. Do ponto de vista prático e científico, qual o principal alerta ou diretriz que a senhora pretende levar aos profissionais do simpósio sobre o manejo do câncer mamário nessa população?
Por isso, precisamos abandonar abordagens padronizadas e avançar para uma medicina verdadeiramente individualizada. O profissional deve conhecer as particularidades relacionadas à terapia hormonal, às cirurgias de afirmação de gênero, ao histórico familiar e aos fatores de risco de cada paciente para definir estratégias adequadas de rastreamento, diagnóstico e tratamento.
Mais do que criar exceções, precisamos incorporar essas populações às boas práticas assistenciais com base em evidências científicas e respeito à diversidade humana.
Jornal do Médico®: Olhando para a grade científica deste ano, que conecta desde a precisão da imagem até a humanização e equidade no tratamento, por que o SIMRio se tornou um evento indispensável não apenas para os mastologistas, mas para toda a equipe multidisciplinar que atua na saúde da mama?
O SIMRio compreende essa realidade e oferece uma programação que dialoga com toda a jornada da paciente. Ao reunir inovação tecnológica, discussion científica, humanização, qualidade de vida e equidade, o evento contribui para uma assistência mais completa e centrada na pessoa.
“O melhor resultado para a paciente depende da integração multidisciplinar. O SIMRio compreende essa realidade e oferece uma programação que dialoga com toda a jornada da paciente.”
Jornal do Médico®: Para encerrarmos este “esquenta”, qual é a sua principal expectativa para esta 15ª edição e qual mensagem a senhora deixa convocando os colegas médicos e acadêmicos a participarem ativamente dos debates no SIMRio?
O SIMRio é uma oportunidade única para aprender, ensinar, questionar e construir caminhos coletivamente. Convido todos os colegas mastologistas e demais profissionais da saúde que se dedicam ao rastreio, diagnóstico tratamento e pós tratamento de pacientes com câncer de mama a participarem ativamente das palestras e principalmente dos debates.
Tenho certeza de que teremos um encontro inspirador, capaz de gerar reflexões que irão impactar diretamente a qualidade do cuidado que oferecemos às pessoas que confiam em nós.
“O SIMRio é uma oportunidade única para aprender, ensinar, questionar e construir caminhos coletivamente.”







