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ARTIGO: O novo normal e o emocional

ARTIGO: O novo normal e o emocional

Falar sobre o novo normal pós pandemia é acessar nosso espaço emocional das incertezas. Ficar em isolamento social por longo tempo por um lado, nos tolheu de uma série de situações causadoras de bem-estar, seja através do contato físico com quem se ama, da convivência pessoal com familiares, colegas de trabalho, vizinhos ou amigos diversos.  Por outro lado, nos instigou a um repensar sobre a qualidade dessas mesmas relações. Imprimiu em nós um desafio, em termos de nos apropriar mais e mais dos recursos das novas tecnologias de comunicação, como forma de dar continuidade a uma convivência real, saudável e humanamente necessária. Agora mediata por computadores, internet e suas redes sociais, celulares, e diversos outros dispositivos remotos que permitem esse contato, mas que não usávamos com tanta intensidade.

Praticamente todos nós, inicialmente fomos forçados a uma mudança de paradigma muito rápida. Uso de máscaras, álcool em gel, a higienização praticamente como condição de sobrevivência, o distanciamento dos entes queridos, foram medidas de alto impacto, um tanto assustadoras num primeiro momento.

Como psicóloga e educadora, acredito que este novo normal deva contemplar algumas estratégias emocionais, que certamente envolverão o eliciar de uma inteligência coletiva, isso é, o desenvolvimento de um saber compartilhado que, segundo o filósofo Pierre Lévy (Tunísia, 1956), envolveria uma mobilização efetiva das nossas competências individuais, a modificar-se ante a convivência mútua. Este movimento implica em agregar cada vez mais estratégias e recursos pessoais novos, reorganizando-nos na direção de maior qualidade nos nossos relacionamentos e de uma compreensão de seu significado.

Talvez a volta ao antigo normal pós pandemia, não seja mais possível. Quem sabe o novo normal considere mais a empatia, o respeito e a responsabilidade com a coletividade? Quem sabe nos mobilize a usar cada vez mais a tecnologia sem “desumanizar”, mas em nosso benefício? O trabalho remoto certamente vai passar a ser uma realidade mais ecológica, sustentável, promotora de maior sociabilidade e bem-estar e não, do afastamento social. O novo normal pode ser algo apenas “diferente”.

 

Gislene Farias de Oliveira
Psicóloga, Doutorado em Psicologia Social pela UFPB e Pós Doutorado em Ciências da Saúde na Faculdade de Medicina do ABC – Santo André – São Paulo. Professora Associada da Universidade Federal do Cariri – UFCA.

 

 

 

 

 

 

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