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Professor da UFC apresenta técnica de reconstrução vaginal com pele de tilápia na Itália

 
A construção de vaginas com pele de Tilápia, procedimento inédito desenvolvido no Ceará e que já está mudando a vida de mulheres portadoras de agenesia vaginal, chega à Europa. Quem está levando a técnica ao velho mundo é o professor adjunto do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e cirurgião uroginecologista Dr. Leonardo Bezerra, que está em Florença, Itália, participando do 4º Congresso da Sociedade de Endometriose e Doenças Uterinas (SEUD) até o próximo dia 28. Na ocasião, ele apresenta a pesquisa pioneira e trabalhos sobre endometriose e a melhoria da qualidade de vida das mulheres desenvolvidos na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC-UFC).
Durante o período na Europa, além de ter participado de um estágio de aperfeiçoamento em cirurgia laparoscópica no Centro Hospitalar Universitário Estaing da Université de Clermont-Ferrand Auvergne, o médico vem realizando uma intensa troca de experiências com diversos professores reconhecidos em todo o mundo por serem referência na especialidade.
“Nesse período, pude adquirir conhecimentos sobre a Escola Europeia de Laparoscopia, e percebi que os profissionais levam muito em conta a padronização de conduta neste tipo de procedimento, o que reduz significativamente as complicações em cirurgias uterinas. Com certeza, um modelo a ser trazido ao Brasil e, certamente, a ser seguido na MEAC”, ressalta o Dr. Leonardo.
 
Sobre a pesquisa
A pesquisa sobre pele de tilápia, liderada pelo Dr. Leonardo, ainda se encontra em caráter clínico-experimental e vem sendo executada por equipe multidisciplinar da MEAC e do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM). A estratégia revolucionária e recém-descoberta já apresenta resultados positivos em mulheres portadoras da síndrome de Rokitansky (ou agenesia vaginal). A técnica se diferencia da cirurgia clássica por evitar o uso de extenso enxertos de pele da paciente para a reconstrução do canal vaginal. Isto é possível por conta da quantidade significativa de colágeno contida na pele de tilápia, que a torna tão forte e resistente quanto a pele humana. A pele é devidamente tratada no laboratório do NPDM.
“A cirurgia é realizada abrindo um espaço entre a bexiga e o reto e forrando-o com a pele de tilápia. Após o procedimento, é colocando um molde com um formato de vagina, deixando o espaço aberto e impedindo que as paredes da “nova vagina” se juntem novamente. A partir desse procedimento, as células dos tecidos da paciente em contato com as células e fatores de crescimento liberados pela pele de tilapia se transformam, como as células-tronco, formando, assim, um tecido com células iguais à de uma vagina real. Finalmente, ocorre a total incorporação e biocompatibilidade da pele de tilápia”, explica o médico, que possui Doutorado em Uroginecologia e Cirurgia Vaginal e orienta teses nessa área.
O trabalho é acompanhado e desenvolvido com pacientes do Ambulatório de Adolescente da MEAC, coordenado pela médica Zenilda Bruno, professora titular de Ginecologia e Obstetrícia da UFC. Toda a parte experimental da pesquisa e o processamento da pele de tilápia é realizada no NPDM), liderado pelo Prof. Dr. Manoel Odorico Moraes, da UFC. A membrana vem sendo utilizada com muito sucesso no tratamento de queimados, realizado no Ceará desde 2015, implantado pelo cirurgião plástico Dr. Edmar Maciel, coordenador da pesquisa e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ) do Instituto Dr. José Frota (IJF).
 
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