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Saiba mais sobre as epidemias que chegaram ao Ceará antes da COVID-19

Saiba mais sobre as epidemias que chegaram ao Ceará antes da COVID-19.

Quando se fala de epidemias que assolaram alguns lugares do mundo, nem sempre o Ceará é mencionado. Devido a pandemia do novo coronavírus, essa parece ser a primeira vez que o estado precisa lidar com a proliferação de uma doença. Porém, o que muitos não sabem, é que o Ceará já foi cenário de outras epidemias que causaram muito pânico e medo na época em que surgiram.

De acordo com a médica, historiadora e conselheira do Jornal do Médico ®️, Ana Margarida, foi no século XIX que as doenças como varíola, febre amarela, cólera morbus, e sarampo adquiriram caráter epidêmico no estado. ”A varíola, no Ceará, sempre foi endêmica. Anualmente surgiam pequenos surtos isolados. Porém, nas secas, por causa das condições nutricionais da população e a formação de aglomerados nas vilas e cidades, a varíola foi devastadora.”, falou a médica.

A Dra. Ana conta que devido a seca no Ceará, que ocorreu de 1877 a 1878, era comum que as pessoas se mudassem do interior para Fortaleza, o que causava muita aglomeração, propiciando a rápida disseminação dos microrganismos. “As praças viraram acampamentos e os prédios públicos foram ocupados.”, explicou.

Dessa maneira a varíola se disseminou rapidamente e foi chamada de “bexiga” pela população, levando milhares de pessoas a morte. “Em oito meses, a epidemia atingiu mais de 150.000 pessoas no Ceará. 27.395 faleceram em Fortaleza, e 22.605 faleceram no interior.”, Dra. Ana Margarida afirma. Além de todo o sofrimento causado pela epidemia, segundo Rodolfo Teófilo, ainda existia um grande problema quanto ao transporte dos cadáveres. Esse transporte era feito por quantias insignificantes por quem estava na miséria e aceitava conduzir os cadáveres dos doentes, que já estavam apodrecendo, para não passar fome.

Quanto a febre amarela, ela surgiu no Ceará no ano de 1851, vinda do Maranhão através de passageiros do navio São Sebastião. “Na época, Fortaleza tinha 15.000 habitantes. Cerca de 6.000 adoeceram e 251 vieram a óbitos. No interior, foram registrados 14.440 casos com 252 óbitos.”, contou a Dra. Ana. Ainda segundo a médica, para combater a febre amarela, vários pântanos em Fortaleza foram aterrados para evitar os miasmas, que podem ser considerado como sujeiras causadas pelos humanos e animais, pois naquela época as pessoas acreditavam que essa era a causa das doenças. De certa forma, essas medidas serviram, pois diminuem os focos dos mosquitos transmissores da doença e a partir dessa epidemia a febre amarela tornou-se endêmica.

Durante a entrevista, Dra. Ana também explicou sobre a chegada da cólera ao Ceará em 1882, depois de ter causado muito estrago em outros estados do Nordeste. Essa epidemia atingiu quase todas as cidades do interior, levando a contaminação de dois terços da população cearense e matando 12.500 pessoas.

Além dessas epidemias no Nordeste, a historiadora também lembra de doenças como a gripe espanhola, que matou entre 50 e 100 milhões de pessoas no mundo, a gripe asiática e a gripe de Hong Kong, que chegaram ao Ceará depois de devastar vários países do mundo. Mais recentemente, já no século XXI houve também a gripe suína (H1N1) entre 2009 e 2010, e atualmente a COVID-19.

A médica diz que essas epidemias sempre estiveram na história da humanidade e que devido ao crescimento populacional, o aumento de viagens e meios de transportes, essa doenças se espalham com maior facilidade. Porém, nos dias de hoje, existe uma arma poderosa para vencê-las, a evolução da informação. “Enquanto os medievos nunca puderam saber a causa da peste negra, atualmente os cientistas, em poucos dias, identificaram o genoma do coronavírus e já estudam o desenvolvimento de uma vacina e medicamentos para cura da doença que nos assola.”, disse Ana Margarida esperançosa. Além disso, a historiadora afirma com convicção que a solidariedade e a cooperação nesse momento tão complexo são as principais armas que a humanidade pode ter para vencer essa pandemia.

 

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