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A Mulher Barbuda (1631), de José de Ribera (1591-1652)

A pintura “Magdalena Ventura com seu marido e seu filho”, também conhecida como “A Mulher Barbuda”, 1631, de José de Ribera, é um óleo sobre tela, 196 x 127 cm. Pertence ao Museu da Fundação Lerma, Hospital de Tavera (Toledo).

 

José de Ribera, conhecido como Giusepe de Ribera e apelidado de Lo Spagnoletto, nasceu em Xátiva-Espanha, em 1591, e faleceu em Nápoles-Itália, em 1652. Foi um gravurista e pintor tenebrista espanhol do século XVII. Muito jovem, Ribera mudou-se para a Itália. Em Roma, ele pintou uma primeira série dos “Cinco Sentidos”. Em 1616, com 25 anos, foi para Nápoles. Ribera, visto como um pintor brilhante, era protegido do vice-rei espanhol, o duque de Osuna, para quem pintou vários quadros, mantidos na Igreja Colegiada de Osuna, perto de Sevilha; Conviveu  com muitos artista, inclusive Diego Vélasquez; Sofreu influencia de Caravaggio, expressada em suas pinturas através do tenebrismo. Ribera casou-se com Catalina de Azzolini, filha do pintor Giovanni Azzilini, com quem teve cinco filhos.

 

A tela “A Mulher Barbuda” retrata Magdalena Ventura, 52 anos, uma napolitana portadora de hirsutismo (aumento de andrógenos pelas supra-renais e ovários). Trata-se de um registro magistral em obra de arte, encomendado a Ribera pelo Duque de Alcalá, vice-rei de Nápoles. No primeiro plano, vemos Magdalena com um espesso bigode e densa barba negra, amamentando seu filho, com sua volumosa mama. Há relatos que os pêlos surgiram quando Magdalena tinha 37 anos. Ela teve três filhos antes da doença e quatro depois. Ao seu lado, em segundo plano, vemos seu segundo marido, Felici de Amici, com um olhar triste e conformado. O quadro, de rara beleza espantosa, prende o olhar pela pincelada forte e pela visão insólita. O claro escuro da pintura denuncia a influência de Caravaggio na obra de Ribera. As personagens surgem da escuridão, com a luz incidindo sobre as mesmas. A pincelada é rigorosa e não há pormenor que seja ignorado, como a pedra onde se lê: “Eis aqui um grande milagre da natureza”.

 

 

 

Coluna Medicina, Cultura e Arte
Autora e Coordenadora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg, médica, historiadora, imortal da Academia Cearense de Medicina e conselheira do Jornal do Médico.

 

 

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