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criança com pé torto (1642): apreciação crítica da obra de José Ribeira (1591-1652)

Criança com pé torto (1642): apreciação crítica da obra de José de Ribera (1591-1652)

A pintura “Criança com Pé Torto”, em francês: “Le Pied-bot”, (1642), de José de Ribera (Xátiva,1591 – Nápoles,1652), é um óleo sobre tela, 164 x 93 cm. Pertence ao Museu do Louvre-Paris e encontra-se na Ala Denon, nível 1, no Departamento de Pinturas Espanholas.

José de Ribera, conhecido como Giusepe de Ribera e apelidado de Lo Spagnoletto, nasceu em Xátiva-Espanha, em 1591, e faleceu em Nápoles-Itália, em 1652. Foi um gravurista e pintor tenebrista espanhol do século XVII. Muito jovem, Ribera mudou-se para a Itália. Em 1616, com 25 anos, instalou-se em Nápoles. Conviveu  com muitos artistas, inclusive Diego Vélasquez; Sofreu influência de Caravaggio, expressada em suas pinturas através do tenebrismo. Casou-se com Catalina de Azzolini, filha do pintor Giovanni Azzilini, com quem teve cinco filhos.

A tela “Criança com Pé Torto” foi pintada em Nápoles, em 1642, provavelmente encomendada por um negociante flamengo. Ela retrata um mendigo napolitano, com o pé direito deformado, posicionado contra um céu claro e luminoso.  Segundo o site do Museu do Louvre-Paris, trata-se de um anão, pois tinha esse título antes da tela entrar para a coleção do museu. Ribera a pintou no seu período de maturidade, quando ele evoluiu do tenebrismo caravaggesque para um estilo luminoso, sob a influência dos mestres de Bolonha (Annibale Carraccio, Guido Reni) e de Veneza (Ticiano). Mesmo assim, nesta tela, a influência de Caravaggio vem à tona na plasticidade das formas, contrastando sombra e luz no rosto e nas mãos do mendigo. No entanto, o pano de fundo não é mais o escuro das imagens anteriores, mas uma paisagem sobre a qual um céu brilhante se desenrola. Contrastando com o azul vibrante do céu, a figura do mendigo é pintada com uma paleta limitada de cores.  Ribera pintou o mendigo de perto e de um ângulo baixo para dotá-lo com dignidade e fazê-lo parecer monumental. O mendigo olha para o espectador com um sorriso de dentes vazios. A muleta repousa em seu ombro e ele parece orgulhoso de ter chamado a atenção das pessoas. Em sua mão, ele segura um papel escrito em latim: “Dê-me esmolas pelo amor de Deus“. Esse papel era uma autorização dada aos mendigos, em Nápoles, para pedirem esmolas. Há quem interprete que a frase era um apelo à caridade cristã, no espírito da Contrarreforma. O mais provável é que a intenção de Ribera tenha sido somente pintar um retrato de um mendigo. Segundo o site do Museu do Louvre-Paris, ele fantasiava pintar figuras humildes da população mais pobre, como Caravaggio, antes dele. Ele também compartilhou com seu compatriota Velázquez um interesse mais específico em aleijados e anões.

 

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 23 de julho de 2020

 

 

dra. anaColuna Medicina, Cultura e Arte
Autora e Coordenadora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg, médica, historiadora, imortal da Academia Cearense de Medicina e conselheira do Jornal do Médico.

 

 

 

 

 

 

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