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ARTIGO: Andrologia: foco na saúde sexual e reprodutiva do homem

É inegável que há um aumento de complexidade do atendimento médico nas diferentes áreas do conhecimento, de forma que tem sido impossível para um profissional atingir nível de excelência nas mais diversas vertentes dentro de
cada especialidade. Dada a ampla abrangência da Urologia nas afecções do trato geniturinário, o foco em áreas de atuação é praticamente uma necessidade nos dias de hoje.

Andrologia é derivada do grego andrós (homem) e logos (estudo) e se destina ao estudo dos elementos anatômicos, biológicos e psíquicos que contribuem para o bom funcionamento da função sexual e reprodutiva do homem. Habitualmente a Andrologia é uma subespecialidade da Urologia, apesar de também poder estar relacionada à Endocrinologia. Em alguns países é considerada uma especialidade autônoma dada sua crescente complexidade.

Em outras palavras, a Andrologia foca no cuidado das disfunções sexuais masculinas e no suporte ao fator masculino da infertilidade conjugal. Queixas sexuais como diminuição da libido, disfunção erétil, problemas da ejaculação e do orgasmo são frequentemente encontradas nos consultórios de andrologistas. Tal profissional tem ainda um papel importante no cenário de tratamentos de reprodução assistida em casos de azoospermia, varicocele, reversão de vasectomia e captura cirúrgica de espermatozoides. Oferece também opções refinadas no tratamento cirúrgico de deformidades penianas congênitas ou adquiridas e no implante de próteses penianas.

Para obter tal expertise, é bem provável que urologistas formados necessitem realizar treinamentos clínicos específicos após a residência médica. De uma maneira geral, é fundamental que o andrologista tenha um entendimento diferenciado da fisiologia e farmacologia da função sexual masculina, do eixo hipotálamo-hipofisário para manuseio de disfunções hormonais, além de ter experiência com cirurgia genital e microcirurgia. Além disso, é preciso ter habilidades de comunicação direcionadas para lidar com assuntos íntimos da história sexual e desejos reprodutivos dos homens. Com o rápido avanço das tecnologias em medicina reprodutiva, é ainda desejável que o andrologista se mantenha atualizado sobre técnicas laboratoriais de avaliação e manuseio de espermatozoides.

Há ainda quem advogue que a Andrologia poderia ocupar um protagonismo em programas de saúde e bem-estar geral do homem, eventualmente ganhando o apelo que a ginecologia tem para as mulheres. Isso inclui também o cuidado com a população de adolescentes que comumente tem dúvidas ou queixas sobre o desenvolvimento de uma vida sexual saudável. Apesar de não ser subespecialidade tão popular, é possível inferir que estamos diante de uma subespecialidade médica bastante promissora, haja vista que as condições tratadas pela Andrologia são prevalentes e há uma crescente valorização dos cuidados de qualidade de vida e planejamento familiar em uma sociedade em envelhecimento e queda de natalidade.

 

Sobre o autor:

Dr. Eduardo Miranda é membro do Departamento de Andrologia Sociedade
Brasileira de Urologia (SBU) e vice-presidente da SBU-CE

 

 

 

 

 

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