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Máscara funciona na disseminação de COVID-19 na fase pós-bloqueio?

A OMS declarou a infecção por síndrome respiratória aguda grave por coronavírus 2 (SARS-CoV-2) uma doença pandêmica e muitos países ao redor do mundo fizeram declarações de emergência. Os primeiros estudos do COVID-19 focaram principalmente nas características clínicas, biológicas e radiológicas de pacientes com suspeita ou confirmação de infecção por SARS-CoV-2.

A necessidade de suspender as medidas de bloqueio de emergência, despertou um grande interesse em torno de possíveis estratégias para conter a transmissão COVID-19. O uso de máscaras agora é recomendado pelas principais autoridades de saúde, incluindo a OMS, para reduzir a transmissão da SARS-CoV-2, em ambientes internos ou externos, quando o distanciamento social não puder ser garantido. No entanto, a eficácia das máscaras faciais para o controle da transmissão COVID-19 ainda está em debate. O estudo atual foi, portanto, realizado para avaliar se as máscaras cirúrgicas foram eficazes para filtrar SARS-CoV-2 em um ambiente hospitalar.

Embora o uso de máscaras faciais seja recomendado por várias autoridades de saúde, ainda não está claro se as máscaras cirúrgicas usadas por pacientes hospitalizados por COVID-19, podem realmente prevenir a contaminação do meio ambiente. Os resultados deste trabalho, embora obtidos em uma pequena amostra de pacientes, indicam que as máscaras cirúrgicas podem efetivamente reduzir a emissão de partículas de SARS-CoV-2 no meio ambiente através de gotículas respiratórias.

Outros autores já determinaram a eficácia das máscaras faciais cirúrgicas na prevenção da transmissão de coronavírus sazonais, vírus influenza e rinovírus na respiração e tosse de pessoas jovens e adultas com doenças respiratórias agudas. Os resultados indicaram que as máscaras faciais cirúrgicas impediram a transmissão de coronavírus humanos e vírus influenza de casos sintomáticos.

Um único relato interessante de caso, revelou que um paciente com COVID-19 aguda com tosse produtiva, havia transmitido a infecção SARS-CoV-2 para cinco pessoas em um veículo quando ele não usava máscara facial, embora ninguém tenha sido infectado em um segundo veículo menor, quando o mesmo paciente viajou usando uma máscara facial.

Mais recentemente, pesquisadores de Hong Kong analisaram a incidência de COVID-19 por milhão de habitantes na Região Administrativa da cidade, com o uso de máscara facial em toda a comunidade, em comparação com os países que não usaram máscara (Espanha, Itália, Alemanha e França). Esses países foram escolhidos por serem comparáveis ​​a Hong Kong em termos de densidade populacional, organização do sistema de saúde e medidas de distanciamento social.

A incidência de COVID-19 em Hong Kong (129,0 por milhão de habitantes) foi significativamente menor do que a observada em outros países, sugerindo que o uso de máscara em toda a comunidade, pode ajudar a controlar a disseminação de SARS-CoV-2, diminuindo a emissão de gotículas respiratórias de pessoas com COVID-19 subclínica e/ou sintomática.

Desde o início da pandemia de COVID-19, o distanciamento social e a higiene cuidadosa das mãos foram promovidos como estratégias para reduzir a disseminação da SARS-CoV-2 na comunidade. O uso extensivo de máscaras faciais só recentemente foi adicionado às recomendações da OMS e do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos. As pessoas costumam usar máscaras faciais para se proteger, mas esse costume também tem implicações importantes para a saúde pública, pois protege outras pessoas de gotículas respiratórias.

O uso extensivo de máscaras faciais pode, portanto, desempenhar um papel estratégico na redução da disseminação de COVID-19. Os dados atualmente disponíveis sugerem que, junto com recomendações baseadas em evidências mais robustas, como distanciamento social e higiene das mãos, o uso extensivo de máscara facial pode ajudar a reduzir as gotículas de transmissão da infecção SARS-CoV-2. De fato, o governo de Hong Kong conseguiu limitar o surto de COVID-19 sem emitir um bloqueio, obrigando o uso de máscaras faciais.

Apesar de relatar achados potencialmente relevantes, esse estudo tem limitações que requerem consideração. Em primeiro lugar, o tamanho da amostra era pequeno, o que impede que conclusões definitivas sejam tiradas sobre a eficácia do uso de máscara facial cirúrgica. Portanto, os resultados precisam ser replicados em estudos de larga escala. Além disso, na época em que o estudo foi conduzido, a detecção do RNA SARS-CoV-2 em swabs nasofaríngeos e orofaríngeos foi baseada em RT-PCR qualitativo. Portanto, não foram capazes de avaliar se a carga viral em pacientes individuais, teve um impacto na contaminação ambiental. Embora improvável, não pode ser omitida a possibilidade de que ambos os pacientes avaliados fossem SARS-CoV-2 negativos no momento em que o estudo foi conduzido.

Por fim, embora os participantes tenham sido orientados quanto ao procedimento de lavagem das mãos e solicitados a relatar criteriosamente o número de vezes que lavaram as mãos e utilizaram o banheiro, esses parâmetros não foram objetivamente registrados.

Os resultados do presente estudo contribuem para um crescente corpo de literatura, sugerindo que as máscaras faciais devem ser consideradas como uma intervenção econômica para conter o COVID-19 na fase pós-bloqueio. Com base em nesses achados e nos de outros, o uso de máscaras faciais deve ser recomendado, além do distanciamento social e a higiene das mãos, durante a fase pós-bloqueio do COVID-19. A nova perspectiva é mudar do egoísmo (“Eu só me importo com a minha proteção”) para o altruísmo (“Eu me preocupo em proteger os outros”), considerando a máscara facial um símbolo de solidariedade social.

 

Referente ao artigo Devem as máscaras faciais serem usadas para conter a disseminação de COVID-19 na fase pós-bloqueio? publicado em The Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene

 

Dylvardo Costa

 

 

Autor: 
Dr. Dylvardo Costa Lima
Pneumologista, CREMEC 3886 RQE 8927
E-mail: dylvardofilho@hotmail.com

 

 

 

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