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Câncer de Mama: um desafio de todos!

Com o Outubro Rosa, a sociedade se mobiliza para informar, conscientizar e cobrar políticas públicas para combater o flagelo do câncer de mama. O laço rosa e a iluminação de monumentos, prédios públicos, praças, pontes, teatros, dentre outros, toma conta da do mundo e do Brasil. Essa provocação cromática estimula a todos para discutir prevenção, rastreamento, diagnóstico precoce e tratamento desse câncer que mais atinge as mulheres.

Os novos casos câncer de mama, segundo estatísticas oficiais, são estimado em mais de 66 mil em 2020 e uma mortalidade crescente que superou 17 mil mortes em 2018. Portanto, assume uma grande importância epidemiológica no País e necessita da ação sinérgica dos setores: público, privado e terceiro setor para fazer frente a esse desafio.

Conhecer os fatores de risco para o câncer de mama é fundamental, pois são múltiplos. Os principais são: idade, fatores endócrinos e/ou reprodutivos, fatores comportamentais e/ou ambientais e fatores genético-hereditários.

A idade é um dos principais fatores que aumentam o risco de se desenvolver câncer de mama e mulheres a partir dos 50 anos são mais propensas a desenvolver a doença. Fatores endócrinos ou relativos à história reprodutiva incluem: história de menarca precoce (idade da primeira menstruação menor que 12 anos); menopausa tardia (após os 55 anos); primeira gravidez após os 30 anos; nuliparidade (não ter tido filhos); e uso de contraceptivos orais e de terapia de reposição hormonal pós-menopausa, especialmente se por tempo prolongado. Fatores relacionados a comportamentos ou ao ambiente incluem ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade após a menopausa e exposição à radiação ionizante. Fatores genético-hereditários estão relacionados à presença de mutações em determinados genes transmitidas na família, especialmente BRCA1 e BRCA2. Mulheres com histórico de casos de câncer de mama em familiares de primeiro grau (mãe, filha e/ou Irmã), sobretudo em idade jovem; de câncer de ovário ou de câncer de mama em homem podem ter predisposição genética e são consideradas de risco elevado para a doença.

Em contraponto, alguns fatores comportamentais ajudam a diminuir o risco de câncer de mama. A amamentação protege do câncer de mama, assim como a prática de atividade física regular, alimentação balanceada com frutas e verduras e controle do peso, também ajudam a minimizar o risco de tumores malignos da mama.

A detecção precoce do câncer de mama oferece a oportunidade de cura, além de tratamento menos mutilantes e com melhores resultados estéticos. Portanto, o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas iniciais da doença) e o rastreamento (aplicação de teste ou exame numa população sem sinais e sintomas sugestivos de câncer de mama) são estratégias que devem ser estimuladas para resultados mais promissores na lutam contra essa neoplasia.

Importante informar as mulheres da necessidade de conhecer suas mamas e realizar o autoexame, mensalmente, após o período menstrual ou, para as que já estão no climatério (Pós-menopausa) estabelecer uma data fixa por mês e examinar as suas mamas. Quaisquer alterações como: aparecimento de nódulo mamário, descarga papilar sanguinolenta unilateral, lesão eczematosa da pele que não responde a tratamentos tópicos, presença de gânglios axilares, aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de edema, retração na pele da mama e/ou mudança no formato do mamilo devem alertar para a necessidade de procurar de um Mastologista.

O rastreamento do câncer de mama é uma estratégia que deve ser dirigida às mulheres na faixa etária a partir dos 40 anos, anualmente, como preconizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia. Portanto, todas as mulheres devem ter suas mamas avaliadas numa consulta com o especialista e após criteriosa avaliação, ser orientada sobre prevenção, detecção precoce, quais os exames deve realizar e periodicidade de visita ao Mastologista.

Aproximadamente 5 a 10% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres com predisposição genética/familiar, com alto risco para desenvolvimento dessa neoplasia. Portanto, recomenda-se acompanhamento clínico e exames individualizado para esse grupo.

O diagnóstico do câncer de mama em estágios iniciais, restrito a mama, sem disseminação para outros órgãos, confere um chance de cura próxima a 100%. Daí a importância de se realizar o letramento da nossa população para que consigamos impactar nossa curva de mortalidade que, infelizmente, vem aumentando ano após ano.

O poder público, a iniciativa privada e o terceiro setor tem o dever de ampliar às mulheres a oferta de mamografias, facilitar o acesso a consultas, exames, serviços ambulatoriais e especializados em mastologia. Esse compromisso com a vida deve ser prioridade no Brasil para que, a exemplo de países que implementaram políticas de detecção precoce, obtenhamos êxito na diminuição da taxa de mortalidade por esse tipo de câncer.

No mês de Outubro vistamos a camisa rosa da vida e sigamos irmanados nessa grande empreitada na luta contra o câncer de mama.

 

Sobre o autor:

Dr. Paulo Henrique Diógenes Vasques – Mastologista

Presidente do Comitê Municipal de Controle do Câncer de Mama em Fortaleza

 

 

 

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