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Especialistas preveem que público geral não deverá receber a vacina do COVID-19 até meados de 2021

Quando uma vacina COVID-19 segura e eficaz for disponibilizada, será um processo complexo distribuí-la e torná-la acessível a todos que dela precisam. Distribuir uma vacina exigirá aumento da produção, planejamento logístico de armazenamento e a priorização de quem a receberá primeiro, diz o Dr. William Moss, diretor executivo do Centro Internacional de Acesso a Vacinas da Escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças, o CDC americano, contratou uma empresa farmacêutica que distribuirá 150 milhões de doses de vacinas por ano. A McKesson trabalhará com o CDC para distribuir a vacina em todos os EUA para departamentos de saúde pública, hospitais, farmácias e grandes organizações de saúde, diz ele.

Outra parte importante da distribuição é manter o acondicionamento sob baixa temperatura, que é chamada de cadeia de resfriamento. Quase todas as vacinas precisam permanecer sob resfriamento, e algumas mais novas, como a vacina de RNA mensageiro da Moderna, podem exigir temperaturas ainda mais baixas do que o normal.

Com o aumento das preocupações sobre a distribuição para países de baixa e média renda na África Subsaariana e na Ásia, ainda não está claro como funcionaria o processo de administração de uma vacina fabricada nos EUA, diz ele. O governo Trump está cortando laços com a Organização Mundial da Saúde, especificamente, um programa chamado COVAX, que seria um esforço conjunto com a OMS, para garantir uma distribuição equitativa em escala global.

“Minha opinião é que uma vacina fabricada nos Estados Unidos provavelmente será priorizada para pessoas dentro dos Estados Unidos”, disse Moss. Se uma vacina for fabricada fora dos EUA, ele prevê que outros países priorizarão grupos dentro de suas fronteiras, como assistência médica e trabalhadores essenciais e pessoas em risco de contrair a doença, como os idosos. Uma conversa contínua e um plano, são necessários para garantir que a vacina chegue às pessoas que precisam, diz ele.

“Há esforços para tentar evitar o nacionalismo da vacina, onde os países que desenvolvem uma vacina a usem apenas em seu próprio país”, diz ele. “E vai ser uma decisão política muito complicada determinar como as vacinas serão alocadas dentro do país e depois compartilhadas de forma mais global”.

Com as pessoas em todo o mundo desesperadas por acesso a uma vacina, a corrida por uma marca é “uma situação sem precedentes”, diz ele. Algumas coisas diferenciam a vacina COVID-19 da pandemia passada mais comparável da história recente, o vírus da influenza H1N1 em 2009. As preocupações sobre a transmissão generalizada e mortalidade do H1N1, geraram a necessidade de uma vacina global, diz ele, mas o número de mortes e propagação da doença nunca atingiu o mesmo nível do COVID-19.

E quando o H1N1 apareceu, tanto os pesquisadores quanto o público, já tinham experiência com a imunização contra a gripe, diz ele. Com a COVID-19, empresas como a Moderna estão trabalhando com novos tipos de vacinas, como o RNA mensageiro ou outro candidato líder chamado de “vacina de vetor de adenovírus”, onde um gene da proteína spike do SARS-CoV-2 é inserido em um adenovírus e administrado, ele diz. “Aqui, estamos tentando desenvolver novas vacinas para um novo vírus”, diz ele.

“E algumas das plataformas de vacinas ou a maneira como essas vacinas estão sendo fabricadas é bem diferente das formas que fazíamos no passado.”

Além de trabalhar com vários novos tipos de vacinas de vários países diferentes, uma pesquisa recente sugere que apenas metade dos americanos planeja receber uma vacina. A imunidade de longo prazo ao vírus deve proteger as pessoas que recebem a vacina daqueles que a recusam, diz Moss, mas isso é incerto. A barreira para “eficácia aceitável da vacina” é tão baixa quanto proteger 50 a 75% das pessoas que a recebem, diz ele.

Os pesquisadores também não sabem por quanto tempo a vacina protegerá as pessoas, diz ele. Uma vacina ideal protegeria quase todos que a recebem por um longo tempo, diz ele, “mas se apenas metade dessas pessoas ficarão protegidas e essa proteção for de curta duração, então eles precisariam se preocupar com aqueles que não irão receber a vacina ”transmitindo COVID-19 a outros.

Conforme aumenta a capacidade de fabricação, a vacina estará disponível para o público em geral – mas isso pode levar até meados de 2021, disse Moss. “Não há dúvida de que logo no início não haverá quantidade suficiente de doses de vacina para vacinar todos que desejarem”, afirma.

 

Referente a reportagem O público em geral não receberá a vacina do COVID-19 até meados de 2021, preveem os médicos. Publicado em Here & Now 

 

Dylvardo Costa

 

 

Autor: 
Dr. Dylvardo Costa Lima
Pneumologista, CREMEC 3886 RQE 8927
E-mail: dylvardofilho@hotmail.com

 

 

 

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