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Mulheres com síndrome rara e os benefícios com a Pele de Tilápia

Na síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), que afeta uma a cada cinco mil mulheres, as pacientes nascem sem o canal vaginal ou com o canal vaginal pouco desenvolvido.

Uma má-formação do órgão sexual feminino com causa ainda desconhecida, embora acredita-se que seja de ordem genética, afeta a vida de milhares de brasileiras. Conhecida como síndrome de Rokitansky, a anomalia provoca ausência ou desenvolvimento rudimentar da vagina e ainda pode afetar outros órgãos do sistema urinário, como útero, rins e bexiga, além de causar má-formação esquelética, e lesões nos membros superiores e até no coração. Com a evolução da pesquisa sobre uso de pele de tilápia, pacientes têm encontrado possibilidade de tratamento cirúrgico gratuito, ofertado pelo SUS, na Maternidade Escola Assis Chateaubriand, vinculada ao Hospital Universitário Walter Cantídio. Desde abril de 2017, a unidade tem sido a primeira do mundo a aplicar a técnica.
Já foram 17 mulheres beneficiadas pela técnica. E, depois do Instituto Dr. José Frota que aplica o estudo à casos de queimaduras, a MEAC tem se notabilizado como o centro de maior investimento em pesquisas clínicas em de pele de tilápia. De acordo com o cirurgião ginecológico Leonardo Bezerra, é na maternidade escola que são feitos os estudos de neovaginoplastia, cirurgias de reconstrução da vagina.

A unidade foi a primeira do mundo a aplicar prótese biológica de animais aquáticos em ginecologia. Antes disso, uma das opções mais buscadas era o uso da pele da própria paciente para reconstrução, o que ocasionava em procedimentos mais invasivos. “É importante que se destaque que as pesquisas clínicas não acabam. As pacientes são seguidas pelo resto da vida”, destaca o médico sobre o papel da pesquisa clínica. “É a maternidade escola que está fazendo o diagnóstico, com procedimentos cirúrgicos de altíssima qualidade e todos os materiais e equipe cirúrgica, de anestesia, para avaliar as pacientes e, principalmente, o segmento clínico das evoluções, potenciais complicações, efeitos colaterais”, retifica.

No mês anterior, setembro, a pesquisa científica cearense que possibilitou o uso da pele de tilápia em diversas aplicações cirúrgicas, foi a grande vencedora do Prêmio Euro Inovação na Saúde 2020. O trabalho é realizado na Universidade Federal do Ceará (UFC) e articula os estudos da pele do peixe em diversas especialidades médico-cirúrgicas. A coordenação dos estudos é feita pelo professor Odorico de Moraes, diretor do NPDM, e pelo médico e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), Edmar Maciel.

No entanto, Leonardo destaca que o reconhecimento beneficia todos os setores que realizam trabalhos com as pesquisas. “Com esse prêmio, nós ganhamos uma perspectiva muito grande de poder aumentar o trabalho. A nossa ideia é fazer um grande estudo multicêntrico, podendo oferecer essa tecnologia que foi desenvolvida na Meac para outros centros nacionais”, explica. Segundo o cirurgião, a popularização da técnica pelo país possibilita o acesso para mulheres que sofrem com a síndrome de Rokitansky em todo o território nacional e até fora do país.

 

Sintomas e diagnóstico

Falta da menstruação, disfunções sexuais e dificuldades para engravidar são algumas das queixas apresentadas por mulheres que apresentam a síndrome de Rokitansky.

A ultrassonografia é o método mais comum de identificação do problema. Como os sintomas desta síndrome são semelhantes ao de outras doenças, é importante a participação de um especialista para saber distinguir e indicar o melhor tratamento. A cirurgia é indicada para casos mais graves. Para situações menos severas, o alongamento vaginal por dilatação, é o método mais indicado.

 

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