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Apreciação Crítica da obra de Lavinia Fontana

Descrição Técnica

Autora – Lavinia Fontana de Zappis (1552-1614)

Título –  Retrato de Antonietta Gonzalez

Data – c. 1595

Técnica – óleo sobre tela

Dimensões – 57 cm x 46 cm

Localização Musée du Château, Blois, França

 

“As deusas povoam o Olimpo das cidades sem cidadãs;
a Virgem reina nos altares onde oficiam os padres;
Mariana encarna a República Francesa, assunto de homens…”
– Georges Duby

 

Lavinia Fontana de Zappis, conhecida como Lavinia Fontana, pintora maneirista italiana, nasceu em 24/08/1552, em Bolonha-Itália, e morreu, em Roma-Itália, em 11/08/1614, com 62 anos. No Renascimento, período de grande adversidade para as mulheres, como nos demais períodos de nossa história, poucas mulheres conseguiram desenvolver atividade artística, como: Lavinia (1552-1614), Sofonisba Anguissola (1535-1625) e Artemisia Gentileschi (1593-1656).

Filha única do pintor da contra-reforma, Prospero Fontana, Lavinia aprendeu a pintar com o pai. Aos 25 anos, em 1577, casou-se com o pintor Gian Paolo Zappi d’Imola, que tornou-se seu assistente, e com ele teve 11 filhos. Retratista famosa, suas telas evidenciam com maestria emoções nas personagens retratadas. Lavinia, também, pintou temas religiosos, grandes pinturas de altar e seu magnífico quadro “Noli me tangere”. Lavinia foi pintora do papa Gregório XIII e de sua família. Ela produziu muitos autorretratos se apresentando como uma nobre e requintada mulher.

Na tela em pauta, em um fundo escuro, vemos o retrato de Antonietta Gonzalez (Tognina), uma menina de 10 anos, portadora de uma doença rara (hipertricose), caracterizada por excesso de pêlos pelo corpo. Todo o rosto da criança é coberto por uma espessa camada de cabelo. Antonietta, uma figura parecida com uma boneca e uma criatura peluda, exibe um belo vestido da corte e mostra um papel com os seguintes dizeres:

“Don Pietro, um homem selvagem descoberto nas ilhas Canárias, foi levado a sua mais serena alteza Henrique, o rei da França, e dali veio a Sua Excelência o Duque de Parma. De quem [vim] eu, Antonietta, e agora eu posso ser encontrada perto da corte da Senhora Isabella Pallavicina, a honorável marquesa de Soragna.”

Lavinia Fontana ao retratar Antonietta com riqueza de detalhes, como: vestes com filigranas em ouro, coroa de flores na cabeça, olhar doce e meio sorriso, mostra uma garotinha simpática e bonita. Apesar da estranha aparência da menina, Lavinia consegue despertar no expectador um envolvimento emocional e uma grande ternura pela retratada.

Antonietta, nascida em 1588, era a filha mais nova de Pedro Gonzalez (1537-1618) (Petrus Gansalvus) e de Catarina. Ainda criança, Pedro Gonzalez, nascido na Ilha Tenerife, no arquipélago das Canárias, portador de hipertricose universal congênita, foi dado ao rei da França, Henrique II (1519-1559), como um animalzinho exótico. Por ser muito inteligente, Gonzalez recebeu educação refinada e tornou-se um dos mais importantes embaixadores da corte francesa.

Em 1573, Gonzalez, conhecido como “O Cavalheiro Selvagem de Tenerife”, casou-se com a bela parisiense, Catarina, dama de companhia da rainha Catarina de Médicis (1519-1589), e gerou seis filhos: Madeleine, Enrique, Françoise, Antonietta, Horacio e Ercole. Somente dois de seus filhos não apresentaram a doença (hipertricose) . Após a morte de Henrique II e de Catarina de Médicis, a família de Gonzalez transferiu-se para a Itália. Alguns pesquisadores acreditam que o casamento de Pedro Gonzalez com  Catarina inspirou o conto de fadas “A Bela e a Fera”.

 

Fortaleza, 05/11/2020

 

dra. ana

 

 

Coluna Medicina, Cultura e Arte
Autora e Coordenadora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg, médica, historiadora, imortal da Academia Cearense de Medicina e conselheira do Jornal do Médico.

 

 

 

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