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Medição da pressão arterial nas novas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020

Durante a realização do 75º Congresso Brasileiro de Cardiologia, ocorrido entre 20 e 22 de novembro de 2020, o Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA-SBC), a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) lançaram as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Diretrizes possuem como propósito servir como uma ferramenta para definir critérios e parâmetros de cuidado, o que faz com que sejam utilizadas para guiar decisões na prática clínica.

As novas Diretrizes lançadas atendem a tal propósito ao informar com clareza o estado da arte de temas relacionados à hipertensão arterial que costumam gerar incertezas na tomada de decisão clínica. Dentre estes, o diagnóstico baseado em medições de pressão arterial realizadas dentro e fora do consultório, a classificação de níveis pressóricos e suas relações com metas de tratamento e o papel da equipe multiprofissional na entrega de cuidados a pacientes com hipertensão arterial.

Um importante avanço presente nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 é o destaque dado ao método de obtenção dos valores de pressão arterial. O conceito de hipertensão arterial apresentado considera que a doença somente poderá ser diagnosticada se a pressão arterial for medida com a técnica correta, sendo aconselhada a validação das medidas de consultório com aquelas realizadas fora deste.

A combinação de medidas de pressão arterial de consultório com Automedida da Pressão Arterial (AMPA) e Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) vêm sendo altamente recomendada na literatura da área. Estas medidas se aproximam mais dos valores da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), considerada o padrão de referência para o diagnóstico, do que a medição de consultório. Com as recomendações sobre métodos de medição complementares ao de consultório, as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 fomentam o processo de qualificação da medição da pressão arterial.

Cabe ressaltar que a interpretação dos níveis pressóricos obtidos em cada tipo de medição é distinta. Enquanto o ponto de corte de ≥ 140/90 mmHg é utilizado para estabelecer o diagnóstico de hipertensão arterial baseado em medições de consultório, o limiar adotado na MRPA e na MAPA é o de ≥ 130/80 mmHg.

Os novos critérios trazidos pelas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 levantam a necessidade de ofertar treinamentos e atualizações às equipes multiprofissionais responsáveis pelo cuidado de pacientes portadores de hipertensão arterial e em risco de desenvolver a doença. Dado que o diagnóstico e o manejo da hipertensão dependem fundamentalmente da interpretação dos níveis pressóricos do paciente, estes devem ser sempre medidos por meio de instrumental calibrado, em bom estado de conservação e adequado à circunferência braquial. Assim, é imprescindível que a seleção dos dispositivos adequados também seja objeto de capacitação.

 

Autora: Nila Larisse Silva de Albuquerque, Enfermeira. Doutora em Enfermagem.

Contato: larisseufc@hotmail.com

 

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