fbpx

O Tratamento da Tuberculoso Através do Tempo

Até meados do século XX, o tratamento da tuberculose foi empírico. Hipócrates (460 a.C. – 370 a.C.) preconizava sangria e purgativos e Erasístrato de Chio (310 a.C. – 250 a.C.) infusão de repolho, para tosse. A variedade de tratamento era tão grande que Plínio “O Velho” (23-79) clamava contra o charlatanismo. Ambroise Paré (1510-1590) escreveu um manual de tratamento da febre ética à base de leite de jumenta, de cabra e de mulher. Madamede Pompadour (1721- 1764), favorita do rei Luis XV, foi tratada com leite de jumenta. Baglive (1661-1707), observando um soldado que sofreu uma abertura no tórax, teve a ideia de introduzir medicamentos. Na segunda metade do século XVII, surgiu a crença que os reis da França tinham o poder de curar escrófulas, passando sobre elas uma moeda de ouro. As sessões para a cura realizavam-se com grande pompa para a qual acorriam centenas de escrofulosos. Este costume chegou à Inglaterra.

O bizarro tratamento de leite de mulher mamado na fonte foi preconizado e custava uma fortuna. Rosas vermelhas, no quarto de doentes, também. Marie Duplessis (1824-1847), que foi imortalizada por Dumas Filho (1824-1895), como a “Dama das Camélias” e Frederic Chopin (1810-1849), gênio da música, se trataram com: leite de jumenta, vesicatórios, pomada de iodeto de potássio nas axilas, sanguessugas, banhos sulfurosos, exercícios físicos, medicamentos ferruginosos, creosotos e musgos da Islândia. Detweiler prescreveu a Chopin repouso absoluto em sanatório (regime higieno-dietético).

Em 1890, em Berlim, no X Congresso Médico Internacional, o alemão Robert Koch, que, em 1882, decobrira o bacilo da tuberculose, fez cair uma bomba ao anunciar que possuía uma substância (tuberculina) que impedia o crescimento do bacilo. Os editoriais da Revista e Lancet e do British Medical Journal publicaram a notícia com regozigo. Nos EEUU, se ofereciam 1000 dólares por uma colherada do remédio. Milhares de pessoas buscaram este tratamento. Quando descobriu-se que a tuberculina ocasionava a piora das lesões, Koch foi duramente criticado e insultado. Se por um lado, a tuberculina não serviu como medicamento para a tuberculose, por outro lado ela teve importante papel na luta contra esta doença.

Em 1907, Von Pirquet (1874-1929) obteve uma melhor preparação da mesma e batizou-a de “novatuberculina”. Criou-se a cutirreação, que foi de grande valor como prova diagnóstica para distinguir infectados de não infectados. Em 1882, Carlo Forlanini (1847-1918) expôs a ideia do pneumotórax arti­ cial iniciando a colapsoterapia. Monaldi criou uma técnica de aspiração cavitária com introdução de drogas. Overholt foi o pioneiro das ressecções pulmonares. No início do século XX, surgiu a moda da calcioterapia, sais de cobre e sais de ouro. O regime higieno-dietético com a mística da montanha foi o tratamento até a era da quimioterapia moderna. A grande arrancada se deu em 1946, quando Selman Waksman (1888-1973) descobriu a estrepomicina. Posteriomente, a isoniazida e a pirazinamida entraram em cena. Apoderosa trinca mudou radicalmente a história do tratamento da tuberculose.

 

Fonte: Revista Jornal do Médico 

 

dra. ana

 

Autora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg, médica, historiadora, imortal da Academia Cearense de Medicina e conselheira do Jornal do Médico.

 

 

 

 

 

Assine a NewsLetter, receba conteúdos relevantes e a revista digital do Jornal do Médico com conteúdos exclusivos e assinados por especialistas. https://bit.ly/3araYaa

Share this post


WhatsApp chat
Send this to a friend