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O Château de Vaux-le-Vicomte – Legado de Nicolas Fouquet

Construído entre 1658 e 1661, em estilo barroco, o Château de Vaux-le-Vicomte fica a 50 km de Paris, bem próximo de Melun (comuna francesa de aproximadamente 40 mil habitantes). Nicolas Fouquet, Superintende das Finanças de Luís XIV, o construiu e, para esse feito, contou com os melhores artistas da época como: Louis Le Vau (arquiteto), Charles Le Brun (pintor) e André Le Nôtre (paisagista). Após a prisão de Fouquet, Luís XIV utilizou o talento desses artistas para a construção do Palácio de Versalhes. Obra prima do século XVII, o Château de Vaux-le-Vicomte é a maior propriedade privada na França a ostentar o título de Monument historique (Monumento histórico). Nicolas Fouquet nasceu em 1615, em Paris.

Estudou no Colégio de Clermont, dos padres Jesuítas. Em 1635, comprou um cargo de maître des requêtes (magistrado encarregado de reportar petições ao Conselho Real). Em 1640, casou-se com Louise Fouché. O pai de Louise, um parlamentar afortunado, concedeu a Fouquet um grande dote. Em 1641, Louise faleceu deixando uma imensa fortuna para o marido que comprou o domínio Vaux-le-Vicomte. Em 1650, Fouquet, como Procurador Geral do Parlamento de Paris, permaneceu fiel ao Rei e ao Cardeal Mazarin, sucessor do Cardeal Richelieu, durante a Fronda (uma série de guerras civis que ocorreram na França, entre 1648 e 1653, concomitantes a Guerra Franco-Espanhola (1635- 1659) e após a Guerra dos Trinta Anos). Em 1651, Fouquet casou-se com Marie-Madeleine de Castille, filha de um rico parlamentar. Em fevereiro de 1653, tornou-se Superintendente das Finanças. Em agosto de 1661, Fouquet recebeu o Rei e toda a corte (3000 pessoas) para uma festa grandiosa a fim de inaugurar o Château de Vaux-le-Vicomte.

Algumas semanas depois da referida festa, o Rei Louis XIV decidiu aprisionar Fouquet, por considerá-lo muito poderoso e ambicioso. Fouquet teve um fim trágico. Acusado de conspirar contra o Rei, sofreu um processo que durou três anos e foi condenado a passar 15 anos preso na fortaleza de Pinerolo, na Itália, onde morreu em 1680, aos 65 anos de idade Fouquet nos legou um dos mais belos palácios da França. O mesmo está situado numa plataforma retangular e rodeado por fossos repletos de água. Duas pontes levadiças ligam os edifícios ao jardim. O Grande Salão de Vaux-le-Vicomte é original por ser oval e ser uma peça única na história da arquitetura francesa. Mede 19 metros de comprimento por 14 metros de largura e 18 metros de altura. A cúpula é sustentada por 16 cariátides esculpidas por François Girardon. Doze cariátides carregam os signos do Zodíaco, e as outras, os símbolos das quatro estações do ano. Quase todas as dependências do castelo são ornamentadas com temas da mitologia grega ou da Roma Antiga. Os jardins são magníficos.

Segundo a historiadora americana Ina Caro, em seu livro Paris sobre Trilhos, passear pelos jardins do Château Vaux-le-Vicomte é como caminhar no paraíso da mitologia grega – os Campos Elísios; é passear em um lugar que pertence ao mundo dos mortos. Um lugar habitado apenas pelos homens virtuosos após a morte, um paraíso rodeado por paisagens verdes e floridas, onde as pessoas dançam dia e noite, noite e dia. Um lugar semelhante ao céu dos cristãos e muçulmanos. Lá, só adentram as almas dos heróis, santos, sacerdotes, poetas e deuses. Segundo Ina Caro, ao caminhar pelos jardins do Vaux-leViscomte, a gente sente, como pretendia André Le Nôtre, o criador dos jardins, caminhando com os deuses nos jardins dos Campos Elísios.

 

Publicado na revista Jornal do Médico N° 108

 

dra. ana

 

Autora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg, médica, historiadora, imortal da Academia Cearense de Medicina e conselheira do Jornal do Médico.

 

 

 

 

 

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