fbpx

Apreciação crítica da obra de Gustav Klimt – O Beijo

Descrição Técnica

Título – O Beijo

Autor – Gustav Klimt

Ano – 1907-1908

Técnica – óleo e folha de ouro sobre tela

Dimensões – 180 x 180 cm

Museu –  Österreichische Galerie Belvedere, Viena

 

Filho de Ernest Klimt (1834 – 1892), gravador de ouro, e de  Anne Finster (1836-1915), cantora lírica, Gustav Klimt, segundo dos sete filhos do casal, nasceu em 14/07/1862, em Baumgarten (subúrbio deViena), e faleceu em 06/02/1918, em Viena, aos 55 anos. Ingressou na Escola de Artes Aplicadas de Viena, aos 14 anos de idade, terminando o curso após sete anos de estudo.

Klimt, um dos mais notáveis membros do movimento Art Nouveau  e da Secessão de Viena, foi pintor de temas alegóricos, nus, retratos e paisagens. Foi também designer, decorador, pintor de tapeçarias e mosaicos, ceramista e litógrafo. Grande artista do simbolismo, suas pinturas eram povoadas de metáforas, estética art nouveau e arte de estilo bizantino, que ele conheceu apreciando os mosaicos de Ravena.

Apesar do reconhecimento da crítica e do público (recebeu vários prêmios), era um homem simples, usava túnicas discretas e vivia recluso. Sua companheira, Emilie Flöge, dirigente de uma casa de moda, foi uma figura fascinante da sociedade e da boêmia vienense. Klimt pintou vários retratos dela. Muitos especialistas em arte acreditam que, em sua tela mais famosa, “O Beijo”, Klimt retrata ele próprio e Emilie.

A referida tela pertence à chamada “fase dourada”, em que ele utilizava folhas de ouro (influência do pai). Nela vemos um homem e uma mulher abraçados e posicionados no centro superior do quadro. A veste do homem é uma larga túnica amarela ricamente ornamentada com símbolos geométricos, quadrados e retângulos, nas cores preta, cinza e branca. A mulher exibe um “vestido tomara que caia”, lindamente decorado com figuras circulares de diversas cores.

Não se visualiza o rosto do homem, somente um discreto perfil. Ele usa uma coroa de folhas de hera na cabeça e a túnica cobre-lhe o corpo. A mulher, com o cabelo florido, encontra-se ajoelhada exibindo partes do corpo. O homem abraça sua cabeça. Seu rosto, voltado para o observador, expressa  uma mistura de tensão e êxtase. A mão direita da mulher repousa no pescoço do homem e a mão esquerda segura a mão direita dele. Há quase a fusão dos dois corpos.   O solo é coberto por pequenas flores, que contrastam com um fundo dourado. A tela apresenta textura, graças a presença de lâminas de ouro inseridas na imagem e no fundo da mesma.

A pintura, que à primeira vista evidencia a intimidade de um casal apaixonado, permite inúmeras interpretações: para alguns, a imagem mostra a felicidade, a plenitude e a união de um casal. Segundo a pesquisadora Konstanze Fliedl: “A aura do quadro e a sua beleza sedutora devem tanto ao seu preciosismo – ambíguo – como à representação do casal de amantes, encarnação de uma tranquila felicidade erótica.”

Muitos críticos de arte defendem a tese de que a pintura é uma representação do machismo, pois a mulher, de joelhos e olhos cerrados, estaria subjugada. Por outro lado, há quem veja em seu rosto uma expressão de êxtase e completude.

Para alguns estudiosos da arte, as estampas da túnica do homem são símbolos fálicos e, as do vestido da mulher, símbolos de fertilidade.

Para Julio Vives Chillida, 2008, a obra é interpretada, do ponto de vista da iconografia, como uma representação simbólica do momento em que o deus Apolo, atingido pela flecha do amor de cupido, beija a ninfa Daphne, que se metamorfoseia em um loureiro.

Para mim, a famosa tela “O Beijo” está indelevelmente ligada a medicina, ainda que amor e paixão estejam distantes das lâminas dos microscópios. Explico: no início do século XX, quando Klimt pintou sua tela, as células sanguíneas, desvendadas pelas lentes dos microscópios, era assunto nas universidades de Viena, pois Karl Landsteiner, o médico imunologista que classificou os grupos sanguíneos (sistema ABO e fator RH), estava dedicado a fazer as transfusões de sangue serem seguras.

Klimt, que havia feito pinturas baseadas em temas médicos, anos antes, a convite da universidade de Viena, se inspirou nas placas de Petri para colorir o vestido da mulher. Olhando bem de perto, vemos células sanguíneas pulsando na estampa do mesmo. Há quem diga que O Beijo é a biópsia luminosa do amor eterno de Klimt.

 

Fortaleza, 28.01.2021

 

dra. ana

 

Autora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg, médica, historiadora, imortal da Academia Cearense de Medicina e conselheira do Jornal do Médico.

 

 

 

 

 

Assine a NewsLetter, receba conteúdos relevantes e a revista digital do Jornal do Médico com conteúdos exclusivos e assinados por especialistas. https://bit.ly/3araYaa

 

Share this post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Send this to a friend