Dra. Vanessa Queiroz compartilha visão estratégica e os novos rumos da saúde suplementar

Jornal do Médico®
Reportagem: Thamires Assunção, Jornalista
Coordenação: Argollo de Menezes CEO, Editor Jornal do Médico®, Jornalista DRT-CE 4341 e Membro SOBRAMES-CE | Instagram: @jornaldomedico

À frente de uma das unidades mais emblemáticas da Rede Américas, a Dra. Vanessa Queiroz, Diretora-Geral do Hospital São Lucas Copacabana, personifica a nova era da gestão hospitalar no Rio de Janeiro. Com uma trajetória marcada por três títulos de especialista e uma visão estratégica voltada para o valor em saúde, ela compartilha, nesta entrevista exclusiva para o projeto Summit Mulheres na Saúde – Edição Rio de Janeiro, como o equilíbrio entre alta complexidade, sustentabilidade e tecnologia está moldando o futuro da saúde suplementar. Ao longo do diálogo, a gestora analisa o papel da liderança na construção de uma cultura de segurança genuína e o impacto da diversidade como motor de eficiência e inovação no cenário fluminense.

Jornal do Médico®️ – A saúde suplementar nacional atravessa um momento de grandes desafios, considerando questões regulatórias, normativas de entidades de classe e a pressão econômica dos custos assistenciais. Sob a sua ótica de gestão, quais são os principais desafios estruturais que os grandes hospitais enfrentam hoje para equilibrar a sustentabilidade do negócio com a crescente exigência por desfechos clínicos de alta performance?

Dra. Vanessa Queiroz: Acredito que vivemos um momento bastante desafiador na saúde suplementar. Precisamos equilibrar medicina de excelência, centrada no paciente, com a sustentabilidade do sistema. Esse cenário exige uma gestão orientada por tomada de decisão ágil e justa. É dessa forma que conseguimos assegurar que estamos no caminho certo.

No que diz respeito à parceria com o corpo clínico, há um entendimento importante de que é necessário alinhar o atendimento às boas práticas em saúde, que devem estar bem estruturadas e fundamentadas em critérios clínicos consistentes. Para mim, qualidade assistencial e sustentabilidade precisam caminhar juntas.

E não falo apenas da saúde suplementar, mas do sistema de saúde como um todo: não há mais espaço para desperdícios. Tudo aquilo que não gera valor ou não agrega ao cuidado precisa ser revisto. Isso deve se traduzir em eficiência operacional.

Soma-se a isso o avanço da inteligência artificial e o maior acesso à informação. Hoje, o paciente chega ao consultório mais informado, com questionamentos e expectativas, o que aumenta a complexidade do atendimento e, muitas vezes, a necessidade de racionalização dos recursos.

Jornal do Médico®️ – A busca por acreditações e selos de qualidade tornou-se um padrão ouro. Como a senhora enxerga o papel da liderança na disseminação de uma cultura em que a segurança do paciente não seja apenas um protocolo, mas o valor central que guia desde a hotelaria até a alta complexidade?

Dra. Vanessa Queiroz: Um dos pilares da minha atuação é garantir que o paciente esteja, de fato, no centro do cuidado. Isso não pode ser apenas uma diretriz institucional, precisa se materializar no dia a dia. Todos os demais processos existem para sustentar esse propósito, que é o cuidado com o paciente.

A segurança do paciente deve deixar de ser vista como um conjunto de protocolos e passar a ser um valor incorporado à cultura organizacional. Quando conseguimos essa transformação, ela se torna natural, parte da rotina, e não algo imposto. E tudo começa pela liderança, que precisa ser exemplo. Mais do que discursos, são as atitudes que consolidam essa cultura. Reforçar diariamente que a segurança é prioridade faz com que esse valor se dissemine por toda a instituição.

O cuidado está nos detalhes e em todos os pontos de contato. Desde o manobrista até os setores de alta complexidade, todos devem estar alinhados com essa cultura. Outro aspecto fundamental é a transparência. Precisamos falar abertamente sobre segurança, criando um ambiente de confiança e cultura justa. É assim que construímos, de fato, uma base sólida de cultura de segurança e qualidade assistencial, que vai além do caráter protocolar.

Jornal do Médico®️ – Historicamente, a base da saúde é feminina, mas o topo das estruturas corporativas ainda está em transição. Como a sua trajetória e o seu olhar como gestora contribuem para uma tomada de decisão mais resiliente e empática em um ambiente de tanta pressão como o hospitalar?

Dra. Vanessa Queiroz: Sou uma entusiasta desse tema. Temos visto, cada vez mais, mulheres ocupando posições de liderança, algo que, na prática, não era tão comum. No entanto, mais do que discutir liderança feminina, acredito que precisamos ampliar o olhar para a diversidade como um todo, de experiências, vivências e culturas.

Equipes diversas são mais robustas, geram mais valor e melhores resultados, justamente porque agregam diferentes perspectivas. É fundamental que, independentemente de gênero, estejamos preparados e respaldados por conhecimento e experiência.

Também procuro inspirar outras mulheres, mostrando que é possível conciliar carreira e vida pessoal. Fui promovida durante a gestação e sigo acreditando que é possível construir uma trajetória profissional consistente sem abrir mão da vida pessoal e familiar.

A liderança feminina traz características importantes para ambientes complexos, como a capacidade de lidar com múltiplas demandas, a visão sistêmica, a escuta ativa e a empatia. Esse conjunto de competências fortalece a tomada de decisão.

Hoje, há uma mudança importante de percepção. O acesso a cargos de liderança está cada vez mais associado ao mérito e à competência. Isso amplia as perspectivas para novas gerações, que passam a se enxergar nesses espaços com mais naturalidade.

Jornal do Médico®️ – Estar à frente de uma unidade da Rede Américas exige alinhamento com padrões globais de excelência. De que forma o ecossistema da rede tem fomentado o desenvolvimento de lideranças femininas e como a troca de experiências entre as unidades fortalece a operação local?

Dra. Vanessa Queiroz: Estar à frente de uma unidade da Rede Américas é motivo de grande orgulho. Trata-se de uma empresa com 26 hospitais acreditados e trajetórias de excelência, o que reforça nosso compromisso com a qualidade assistencial.

Existe um alinhamento muito forte entre as unidades, impulsionado por uma liderança que valoriza o conceito de rede. Isso faz com que todos se sintam parte de algo maior, trazendo segurança e consistência para a atuação local.

Esse modelo permite identificar e compartilhar boas práticas entre as unidades, acelerando o aprendizado e promovendo ganhos de escala. A troca de experiências é contínua e contribui diretamente para a evolução dos serviços.

Além disso, há um incentivo crescente ao desenvolvimento de carreira. Na minha regional, por exemplo, já contamos com três diretorias gerais ocupadas por mulheres, o que representa um avanço importante para o setor e motivo de orgulho.

Fazer parte de uma rede estruturada nos permite pensar de forma mais ampla, com impacto em larga escala.

Jornal do Médico®️ – No contexto do Rio de Janeiro, o Hospital São Lucas Copacabana é uma referência histórica na Zona Sul. Quais são os projetos ou diferenciais que a sua gestão está implementar para manter o protagonismo no cuidado à saúde e na inovação médica?

Dra. Vanessa Queiroz: O Hospital São Lucas Copacabana tem uma trajetória sólida desde sua inauguração, em 1937, com avanço importante no cuidado assistencial e na experiência do paciente.

Trata-se de um hospital de alta complexidade, com mais de 200 leitos e mais de mil cirurgias por mês, consolidado como referência na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Seguimos trabalhando no fortalecimento das linhas de cirurgia de alta complexidade, com destaque para os transplantes, área em que já somos referência nacional.

Outro ponto é o aprimoramento contínuo da experiência do paciente. Trabalhamos constantemente para evoluir nesse aspecto, indo além do cumprimento de protocolos e reforçando nosso propósito de cuidado centrado na pessoa e uma base humanizada do cuidado. Reforçamos a arte, a poesia e a saúde.

Um outro olhar forte do nosso hospital é a eficiência operacional, com alinhamento entre hospital, operadoras, corpo clínico e ensino, entendendo que esse caminhar conjunto é fundamental para o sucesso.

Vivemos um momento de grande transformação tecnológica, com a inteligência artificial cada vez mais presente. Isso exige decisões baseadas em dados e capacidade de adaptação constante. Nosso objetivo é gerar valor e garantir que o paciente se sinta seguro e bem cuidado em toda a sua jornada.

Jornal do Médico®️ – Para encerrar, muito se fala sobre a jornada múltipla da mulher. Em um cargo de diretoria de uma unidade de grande porte, como a senhora gerencia o desafio de ser uma líder presente e estratégica, ao mesmo tempo em que preserva a vida pessoal?

Dra. Vanessa Queiroz: Falar sobre a mulher multitarefa é, em grande parte, falar da minha realidade. Sou mãe de dois filhos, tenho três residências médicas, pós-graduações e MBA e continuo exercendo a função de médica e dirigindo um grande hospital.

Para conseguir entregar resultados, é fundamental ter nitidez de prioridades e propósito na sua jornada. Além disso, contar com uma rede de apoio faz toda a diferença. Minha família é esse suporte, o que me traz segurança para exercer meu papel profissional com tranquilidade.

Costumo falar de um tripé essencial: realização no trabalho, na vida pessoal e na família. Esse equilíbrio é o que sustenta uma trajetória consistente.

Os papéis não são excludentes; eles coexistem. Quando estou no hospital, continuo sendo mãe; e, em casa, sigo sendo gestora. A família, para mim, é fonte de energia e motivação, e o trabalho, fonte de orgulho e desenvolvimento.

Também reforço a importância da organização e da definição clara de prioridades. Sem isso, podemos nos manter ocupados por longos períodos sem, de fato, sermos produtivos. Ter uma agenda estruturada e objetivos bem definidos é o que permite gerir a complexidade do dia a dia com segurança e eficiência.

Saber para onde queremos ir é o passo fundamental para decidirmos o melhor caminho.
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