Ações da Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE) focam na dificuldade de diagnóstico e na orientação de mulheres que sofrem com a doença, que representam entre 10% e 15% da população mundial
Março é o mês de conscientização sobre a endometriose. Mas por que uma doença tão conhecida precisa de uma campanha assim? Porque a endometriose ainda é um tabu entre as mulheres, sendo que a cada dez mulheres em idade reprodutiva, uma convive com a condição. No Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de mulheres enfrentem a doença. No mundo, são mais de 190 milhões de casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da prevalência (entre 10% e 15% da população), o diagnóstico ainda é tardio e, muitas vezes, marcado por anos de dor.
O Março Amarelo é uma oportunidade para derrubar o tabu e aumentar a quantidade e qualidade das informações sobre a endometriose, ajudando assim mulheres a terem um diagnóstico rápido e melhor. Isto envolve tanto pacientes quanto médicos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE), liderada pelo dr. Sérgio Podgaec, atual presidente da entidade, concentra esforços nesta campanha.
A endometriose ainda esbarra em questões que precisam ser urgentemente abordadas:
- A heterogeneidade clínica da endometriose
- Dúvidas sobre a doença
- Quando ela é assintomática: 5% a 25% das pacientes não apresentam dor significativa
- Diagnóstico tardio em mulheres assintomáticas traz mais riscos à saúde
- A importância do acompanhamento ginecológico periódico
- A evolução das estratégias terapêuticas
- Saúde mental
- Nutrição
- Fertilidade e gestação em casos de doença avançada
Um outro viés
Quando se pensa em endometriose, automaticamente se associa a doença à dor incapacitante e ao impacto significativo na qualidade de vida das mulheres. Corretíssimo. Porém, há outro aspecto tão mais importante e menos discutido, que merece atenção: estudos mostram que entre 5% e 25% das mulheres com endometriose podem não apresentar sintomas, mesmo em quadros avançados.
É que a endometriose tem uma variação clínica que somente com acompanhamento ginecológico regular, mesmo na ausência de sintomas, é possível descobrir.
Temos uma paciente com endometriose profunda grau IV, com acometimento intestinal, vesical, ligamentos útero-sacros e ambos os ovários, que permaneceu assintomática.

Perguntas e respostas sobre endometriose – Um guia para ajudar a mulher
Como a endometriose afeta o ciclo menstrual?
A endometriose pode causar dores menstruais intensas (dismenorreia), até mesmo debilitantes, afetando muito a qualidade de vida da mulher. Essa alteração é frequentemente um dos primeiros sinais que levam as mulheres a procurarem atendimento médico.
Quais fatores de risco estão associados à endometriose?
Os fatores de risco incluem histórico familiar de endometriose, menarca precoce (primeira menstruação em idade jovem), ciclos menstruais curtos (menos de 27 dias), menstruações prolongadas (mais de sete dias) e nunca ter tido filhos. Mulheres que apresentam esses fatores devem estar atentas aos sintomas da doença.
Quem tem endometriose sempre tem sintomas?
Não. Algumas pacientes podem ser assintomáticas. Outras podem não apresentar sintomas claramente observáveis, como dor ou distensão abdominal, mas ainda assim podem ter dificuldades para engravidar.
Como é feito o diagnóstico de endometriose?
O diagnóstico é principalmente clínico, baseado nos sintomas relatados e no exame físico realizado pelo médico. Exames de imagem, como ressonância magnética e ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, podem ser solicitados para auxiliar no mapeamento da doença.
Qual é o melhor exame para diagnosticar a endometriose?
A ressonância magnética e a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal são fundamentais para determinar a extensão e a localização da endometriose. Endometriomas nos ovários, quando maiores que 2 ou 3 mm, podem ser detectados por ultrassonografia convencional.
Como é tratada a endometriose?
O tratamento inclui o controle da dor e, em alguns casos, cirurgia para remover as lesões. A decisão de operar deve considerar fatores como idade, desejo de engravidar e a gravidade da doença, sendo sempre individualizada para cada paciente.
Quem tem endometriose sempre precisa de cirurgia?
A cirurgia é indicada se a paciente apresentar dor intensa, lesões próximas a estruturas importantes como o ureter ou o apêndice, ou se a doença progredir durante o acompanhamento clínico.
A endometriose sempre causa dificuldade para engravidar?
Cerca de 50% a 70% das mulheres com endometriose conseguem engravidar espontaneamente. Entretanto, a doença pode afetar a fertilidade em algumas mulheres.
Mulheres com endometriose que engravidam têm risco de perder o bebê?
Mulheres com endometriose têm um risco maior de desenvolver complicações na gravidez, como placenta de inserção baixa. No entanto, essas complicações são raras.
Quais partes do corpo podem ser afetadas pela endometriose?
Além do útero, a endometriose pode afetar os ligamentos útero-sacros, ovários, peritônio, intestinos, bexiga, umbigo, cicatrizes cirúrgicas, pleura, diafragma e nervos, entre outras.
Adolescentes podem ter endometriose?
Sim. Adolescentes que experimentam cólicas menstruais muito intensas podem estar sofrendo de endometriose.
A endometriose é hereditária?
A endometriose pode ter um componente genético. Filhas de mulheres com endometriose têm maior probabilidade de desenvolver a doença.
Endometriose pode causar dores nas pernas?
Sim, a endometriose pode comprimir nervos, causando dores nas pernas. A compressão do nervo ciático, por exemplo, pode resultar em dor que irradia da região glútea para a parte posterior da coxa.
Endometriose causa ganho de peso?
A endometriose pode causar inchaço abdominal devido à inflamação, mas não está diretamente associada ao ganho de peso.
Endometriose tem cura?
A endometriose pode ser removida cirurgicamente, mas há uma chance de recorrência. Muitas mulheres ficam livres dos sintomas após a cirurgia, mas o acompanhamento contínuo é essencial.
Assessoria de Imprensa da SBE
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