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Em preparação para a sua segunda edição, que acontece de 24 à 26 de setembro de 2026 no Windsor Barra, o Anest In Rio consolida-se como um dos marcos científicos mais inovadores da anestesiologia fluminense promovido pela Sociedade de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro (SAERJ). Em entrevista exclusiva ao Portal Jornal do Médico®, o Dr. Paulo Alípio Germano Filho, Vice-Diretor Científico da SAERJ, analisa os bastidores da organização, o amadurecimento do congresso e adianta como as principais tendências globais — como a Inteligência Artificial e a medicina perioperatória de precisão — guiarão os debates deste ano.
Jornal do Médico®: Manter o nível de excelência após uma estreia de sucesso é sempre um grande desafio de gestão. Olhando para os bastidores da organização do 2º Anest In Rio, quais foram os principais aprendizados de 2025 que vocês aplicaram agora para consolidar o evento de forma definitiva no calendário científico do Rio de Janeiro?
O primeiro Anest In Rio nos ensinou que o público da anestesiologia fluminense estava ávido por um evento que fosse além do formato tradicional de conferências expositivas. O grande aprendizado de 2025 foi constatar que as sessões interativas, as mesas de gamificação, os casos clínicos conduzidos com a plateia e os debates geraram um nível de engajamento que superou nossas expectativas.
Outro aprendizado decisivo foi o sucesso das atividades voltadas à formação. O Acad Anest, o desafio entre ligas acadêmicas de anestesiologia, revelou que há uma geração de estudantes e médicos em especialização com altíssimo nível técnico e enorme desejo de protagonismo científico. Isso nos motivou a ampliar os espaços dedicados à graduação, às ligas, à residência médica e a incluir workshops e cursos práticos que complementem o programa teórico. Consolidar o Anest In Rio no calendário do Rio de Janeiro significa, também, formar quem será a anestesiologia do amanhã.
Para 2026, trabalhamos com uma premissa simples: ampliar o que funcionou e corrigir o que pode melhorar. Mantivemos os formatos interativos, expandimos as atividades para médicos em formação — com competições entre ligas acadêmicas, sessões para residentes e médicos em especialização —, e incorporamos workshops práticos que traduzem o conhecimento teórico em habilidade real. O Rio de Janeiro merecia um evento dessa magnitude. Agora temos a responsabilidade de fazê-lo ainda melhor.
Dr. Paulo Alípio no Anest In Rio 2025
Jornal do Médico®: Temas como POCUS e PBM foram fundamentais na primeira edição. De que forma o comitê científico planeja aprofundar esses assuntos em setembro para trazer o que há de mais atual na literatura mundial?
Neste Anest In Rio 2026, reunimos especialistas brasileiros e estrangeiros que trabalham com essas ferramentas no cotidiano dos centros cirúrgicos. Não será uma discussão teórica, será uma discussão de quem usa, de quem pesquisa e de quem pode mostrar onde a evidência já chegou e onde ainda há perguntas em aberto.
“A ultrassonografia perioperatória deixou de ser opcional. É o padrão que reduz falhas, complicações e transforma a condução de pacientes complexos.”
A decisão de manter e aprofundar POCUS e PBM na programação do Anest In Rio 2026 não é casual, é estratégica. São duas áreas nas quais a incorporação de novas práticas tem impacto mensurável em segurança e em desfecho, e em que a distância entre o que a literatura recomenda e o que ocorre na prática clínica ainda é significativa.
Jornal do Médico®: No último ano, o debate sobre anestesia geriátrica e pacientes centenários foi um ponto alto. Como a programação deste ano abordará o manejo desse perfil de paciente?
A anestesia no idoso exige raciocínio próprio em múltiplas dimensões. A fisiologia cardiovascular e respiratória é distinta. A farmacocinética e a farmacodinâmica são modificadas pela redução da reserva orgânica, pela polifarmácia e pela sarcopenia. A fragilidade prediz desfecho de forma mais robusta que a idade cronológica isolada. O risco de disfunção cognitiva pós-operatória e de delirium é real, mensurável e, em parte, modificável.
“A fragilidade no paciente idoso prediz desfecho de forma mais robusta que a idade cronológica isolada.”
Jornal do Médico®: Como está sendo feita a curadoria dos conferencistas para garantir que as discussões reflitam os desafios reais do centro cirúrgico moderno?
Dr. Paulo Alípio no Anest In Rio 2025
Tal como na primeira edição, foram selecionados mestres, doutores e professores das maiores instituições de ensino e serviços de referência do Brasil, reconhecidos nas suas respectivas subespecialidades. A eles somamos conferencistas internacionais de notório saber, que trazem a perspectiva de outros cenários e permitem que o participante brasileiro contraponha sua realidade com práticas consolidadas em outros países. Os formatos pró e contra, gamificação, e casos interativos com posicionamento obrigatório foram pensados para que não haja espaço para respostas vagas. Cada especialista precisa defender uma posição com base em evidência. Isso eleva o nível do debate e do aprendizado.
Para simplificar, quando me perguntam como escolhemos os conferencistas, a resposta mais honesta é: “- Escolhemos quem eu gostaria de ter ao meu lado em uma cirurgia complexa, e que também soubesse explicar por que está fazendo o que está fazendo.” Isso não é cosmético, é metodologia de atualização científica séria.
Jornal do Médico®: Se o senhor pudesse destacar uma grande tendência que será o “carro-chefe” desta edição, qual seria o spoiler?
“A pergunta para 2026 não é se a IA vai transformar a anestesiologia, mas sim onde ela falha e onde o julgamento humano é insubstituível.”
A premissa é simples: o congresso mais eficaz não é aquele em que o especialista transmite e a plateia recebe, é aquele em que todos raciocinam juntos diante de um problema real. Isso transforma o participante de espectador em protagonista do próprio aprendizado. É o formato que acreditamos ser o futuro dos eventos científicos de alto nível, e o Anest In Rio 2026 quer ser referência nacional nessa direção. Essa é a anestesiologia de precisão que precisamos praticar e ensinar.
Jornal do Médico®: Dr. Paulo, sabendo que a Coopanest Rio atua muito além da esfera de mercado, investindo massivamente na educação continuada, como o senhor avalia o impacto dessa sinergia entre o avanço científico promovido pela SAERJ e o suporte estrutural da cooperativa para a efetiva valorização da anestesiologia fluminense?
A Coopanest Rio há muito tempo deixou de ser apenas uma cooperativa de trabalho médico. É uma organização que investe em educação, que apoia iniciativas científicas, que entende que a valorização do anestesiologista passa necessariamente pela sua atualização técnica e pelo seu posicionamento como profissional de excelência. Esse entendimento é preciso e estratégico.
No Anest In Rio 2025, vimos isso acontecer de forma concreta: o apoio institucional da Coopanest, a presença ativa no evento, o confraternização no stand, o encontro entre cooperados de todo o Estado em torno de um evento científico de alto nível. Não foi coincidência — foi resultado de um alinhamento deliberado entre duas instituições que compartilham o mesmo compromisso com a anestesiologia do Rio de Janeiro. Em 2026, esse alinhamento é ainda mais sólido, e fico genuinamente orgulhoso de fazer parte dessa construção.
Dr. Paulo Alípio no Anest In Rio 2025
Jornal do Médico®: Para encerrar, muito além da robusta programação científica, nota-se que o Anest In Rio carrega um forte senso de compromisso com o reconhecimento da própria especialidade. Qual mensagem o senhor deixa para os médicos, residentes e acadêmicos sobre a importância de fazer parte deste movimento de valorização da anestesiologia no cenário nacional?
“Cada debate sobre segurança perioperatória, desfecho e mercado de trabalho é também um ato de posicionamento profissional.”
Convido todos os colegas médicos especialistas, residentes, e estudantes das ligas a participarem do 2º Anest In Rio não apenas como público, mas como parte de um movimento que está redesenhando o lugar da anestesiologia no cenário científico e institucional do Rio de Janeiro e do Brasil.
Sobre o entrevistado:
Paulo Alípio Germano Filho, CRM/RJ 5269323-5 RQE Nº: 35940 é médico anestesiologista, Professor de Anestesiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre e Doutor em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Tenente-Coronel Bombeiro Militar, exerce a função de Subdiretor Técnico do Hospital Central Aristarcho Pessoa (CBMERJ). É Vice-Diretor Científico da Sociedade de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro (SAERJ), Presidente da Comissão de Sindicância e Processos Administrativos da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), Membro do Corpo Editorial da Brazilian Journal of Anesthesiology e Membro da Academia Brasileira de Medicina Militar (ABMM).







