O Futuro da Anestesiologia no Rio: Dra. Andrea Cristina Detalha a Programação do 2º Coopanest Day Rio

Dra. Andrea Cristina - presidente Coopanest Rio
Reportagem: Argollo de Menezes
CEO, Editor Jornal do Médico®, Jornalista DRT-CE 1950 e Membro Honorário SOBRAMES-CE
Instagram: @jornaldomedico

Presidente da Coopanest Rio analisa as pressões da saúde suplementar, a judicialização em defesa dos honorários médicos e a urgência do cooperativismo para garantir a sustentabilidade do setor.

Jornal do Médico®: A 2ª edição do Coopanest Day Rio traz uma programação com foco jurídico, financeiro e no mercado de saúde suplementar. Por que essas áreas tornaram-se indispensáveis para o anestesiologista?

Dra. Andrea Cristina: Na 2ª edição do Coopanest Day, focamos pela manhã na área financeira, em parceria com a SAERJ, e no período da tarde abordamos os temas jurídicos. Essa é a maior demanda dos cooperados atualmente, pois vivenciamos uma saúde suplementar pressionada por inúmeros fatores de mercado. Essa pressão atinge diretamente o anestesiologista por meio da redução de honorários, morosidade nos repasses, alteração unilateral de prazos, glosas indevidas e questionamento sobre procedimentos que supostamente poderiam ser feitos sem anestesia.

São questões muito graves que ultrapassam a mesa de negociação e exigem respostas legais. Trata-se de demandas observadas tanto pela Coopanest Rio quanto pela Febracan (Federação Brasileira das Cooperativas de Anestesiologia). Por isso, convidamos a Febracan para apresentar os avanços jurídicos e tributários em âmbito nacional e a assessoria jurídica da Coopanest Rio para detalhar as medidas judiciais que estamos adotando em defesa dos interesses e da remuneração dos médicos anestesiologistas do Estado do Rio de Janeiro.

“Essa pressão chega forte em cima do anestesiologista: diminuição de honorários, morosidade nos repasses, glosas indevidas e questionamento de procedimentos. São questões muito graves que passam da negociação e exigem respostas legais.”

Jornal do Médico®: Como foi pensada a curadoria dos temas e dos players convidados para trazer respostas concretas às principais dores e desafios da rotina do cooperado?

Dra. Andrea Cristina: A curadoria dos temas e dos palestrantes foi planejada a partir da necessidade urgente de debater as dores que afligem a nossa categoria no Rio de Janeiro — e estendo isso a todos os anestesiologistas, cooperados ou não. Em conjunto com a SAERJ, este é o momento de discutir a pressão desenfreada por margens de lucro, a verticalização predatória e os impactos da abertura indiscriminada de faculdades de medicina sem a devida qualificação, despejando no mercado profissionais sem o preparo necessário.

Precisamos analisar os modelos adotados em diferentes estados, compreendendo os reflexos na rotina diária do anestesiologista. Para enriquecer esse panorama prático, convidamos lideranças da Bahia, do Rio Grande do Norte e de São Paulo. Nosso objetivo é construir um ambiente seguro, ético e acolhedor, focado em desenhar saídas concretas para os desafios da especialidade.

“É o momento de discutir a pressão por verticalização predatória e os impactos da abertura indiscriminada de faculdades de medicina sem qualificação, que despeja profissionais despreparados no mercado de trabalho.”

Jornal do Médico®: Em um momento de forte pressão das operadoras sobre a remuneração médica, de que forma os debates do evento ajudam a fortalecer o cooperativismo e a autonomia do anestesiologista no Rio?

Dra. Andrea Cristina: O 2º Coopanest Day consolida o papel estratégico da nossa cooperativa nesse diálogo. Não propomos debates rasos ou corporativistas, mas encontros qualificados entre profissionais que compartilham os mesmos desafios e buscam saídas coletivas. Somente pela via do cooperativismo é possível encontrar soluções plurais e equilibradas para todos os elos do setor.

A crise da saúde suplementar é complexa e atinge diferentes regiões do país e do mundo, mas ela tem superação quando encarada sob a ótica coletiva. Integrar essa pauta aos debates científicos do Anest In Rio evidencia a força prática do cooperativismo na valorização e na sustentabilidade do exercício profissional.

“Somente através do olhar do cooperativismo, com soluções plurais que contemplem todos os elos da equação, é que conseguiremos superar essa crise da saúde suplementar.”

Jornal do Médico®: Olhando para o futuro da saúde e da medicina privada no Rio, que legado o Coopanest Day busca consolidar para as próximas gerações de anestesiologistas?

Dra. Andrea Cristina: O Coopanest Day materializa a urgência de um espaço dedicado a avaliar o mercado e reafirmar o papel da cooperativa. Discutir esses rumos entre colegas guiados pelos mesmos princípios é fundamental. Quando somos capazes de exercitar a empatia institucional e construir pontes coletivas, fortalecemos a sustentabilidade da saúde. O sistema precisa ser sustentável para operadoras, hospitais e gestores, mas sem jamais precarizar o trabalho do médico e a segurança do paciente. Levar essa reflexão franca para o centro do congresso comprova a vitalidade do cooperativismo.

Sobre a entrevistada:

Andrea Cristina Moraes é médica graduada pela Universidade Gama Filho, com residência médica em Anestesiologia no Hospital Municipal Miguel Couto. Pós-graduada com MBA em Gestão e Liderança pela PUCRS, possui trajetória com foco em governança corporativa, desenvolvimento institucional e enfrentamento técnico das glosas de honorários médicos.

Cooperada da Coopanest Rio desde 2016, atuou como Conselheira Fiscal (2018), Vice-Presidente e Diretora Operacional (2020). Desde 2024, exerce a Presidência da Coopanest Rio (gestão 2024–2028) e integra a Diretoria da FEBRACAN no biênio 2025–2026, ampliando a articulação em prol da valorização e segurança da anestesiologia cooperativista no cenário nacional.

Marcado:

Revista Digital Rio

Cadastre-se gratuito para receber as edições do Jornal do Médico® Rio em PDF e acompanhe nossas atualizações.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Revista gratuita Ceará