Entre o sentir e o pensar, aprendemos a conduzir a própria vida.
Há perguntas que parecem simples, mas carregam dentro delas toda a complexidade da existência. Uma delas é: devemos ouvir mais o coração ou a razão?
Talvez a resposta esteja justamente em compreender que não precisamos escolher entre os dois.
Imagine uma estrada em descida. No começo, a velocidade traz uma sensação gostosa de liberdade. O vento, o movimento, a paisagem passando pelos olhos. É bom sentir que estamos vivos. Mas, quando a velocidade aumenta demais, perdemos tempo para perceber as curvas, os obstáculos e as encruzilhadas. E aquilo que antes parecia liberdade pode se transformar em perigo.
É para isso que existem os freios.
Na vida emocional também precisamos deles.
Frear não significa ter medo de viver. Não significa reprimir sentimentos, abandonar sonhos ou fechar o coração. Significa saber que existem momentos em que precisamos diminuir a velocidade para não nos perdermos de nós mesmos.
Há pessoas que vivem com o coração acelerado. Entregam-se completamente à paixão, à raiva, à ansiedade, ao medo, à tristeza. Outras fazem o contrário: passam a vida inteira com o freio puxado, evitando sentir para não sofrer.
As duas formas podem nos afastar de uma vida emocionalmente saudável.
Porque sentir não é fraqueza. E controlar não significa deixar de sentir.
Uma emoção não aparece por acaso. Ela traz uma mensagem. A tristeza pode pedir acolhimento. A raiva pode revelar uma ferida ou um limite que foi ultrapassado. O medo pode estar tentando nos proteger. A ansiedade, muitas vezes, revela que alguma coisa dentro de nós está pedindo atenção.
Quando aprendemos a escutar essas mensagens, começamos a olhar para nós mesmos com mais carinho e menos julgamento.
Independência emocional não significa não precisar de ninguém. Somos seres humanos e precisamos de vínculos, afeto, cuidado e presença. Independência emocional é não entregar ao outro a responsabilidade por aquilo que sentimos e pelas escolhas que fazemos.
É poder amar sem desaparecer dentro do outro. É sofrer sem acreditar que a dor será eterna. É dizer “não” sem culpa e “sim” sem medo. É compreender que uma emoção pode ser intensa sem precisar comandar nossas atitudes.
Talvez amadurecer seja exatamente isso: aprender a conduzir a própria vida.
Saber quando acelerar, quando diminuir a velocidade e, principalmente, quando parar.
Não precisamos viver com o freio de mão puxado, com medo de qualquer emoção. Mas também não precisamos descer todas as ladeiras da vida em alta velocidade.
Entre o coração e a razão existe um espaço precioso chamado consciência.
É ali que aprendemos a sentir sem nos perder, pensar sem nos endurecer e amar sem abandonar a nós mesmos.
No fim, talvez a verdadeira liberdade não seja viver sem freios. Seja saber usá-los quando necessário e continuar a viagem com coragem, presença e cuidado.
Porque a vida não pede que deixemos de sentir.
Ela nos convida a aprender a sentir sem perder o caminho.

Rossana Kopf – Psicanalista
Imagem: Magnific







