A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) realizou em 18 de novembro uma importante reunião com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília, para discutir a situação emergencial da terapia renal substitutiva no país e apresentar propostas concretas para o fortalecimento do setor e a garantia do acesso digno ao tratamento para milhares de pacientes renais crônicos. O encontro foi agendado após solicitação da Frente Parlamentar de Nefrologia, presidida pelo deputado Vinícius Carvalho.
Durante o encontro, a SBN reiterou ao Ministro que o Brasil enfrenta uma grave crise humanitária no cuidado renal, refletida diretamente no crescente número de brasileiros que necessitam de diálise. Dados alarmantes apresentados pela Sociedade revelam que o número de pacientes em diálise subiu 143% de 2006 a 2024. No entanto, a infraestrutura de atendimento não acompanhou essa demanda crítica, com o número de clínicas de diálise crescendo apenas 37% no mesmo período.
Esta disparidade tem consequências diretas e alarmantes para a população. Segundo levantamento da SBN, atualmente, mais de 1.000 brasileiros encontram-se internados somente aguardando vagas em unidades de diálise. Além disso, a falta de acesso próximo obriga muitos pacientes a deslocamentos médios de 40 km para realizar o tratamento no Brasil, chegando a mais de 80 km em regiões como o Norte do país, impactando severamente a qualidade de vida, a adesão ao tratamento e a saúde geral desses indivíduos.
A SBN enfatizou a urgência de investimentos e revisões na política de financiamento do setor, que enfrenta defasagem na tabela de procedimentos e um subfinanciamento crônico. Um estudo de custos realizado por uma consultoria independente, por exemplo, aponta uma defasagem de 43% no valor real da hemodiálise em comparação com o valor atualmente pago de R$ 240,93. Essa situação, somada à falta de leitos e profissionais, agrava a crise. Foram discutidas estratégias para otimizar o acesso à terapia renal, expandir a rede de atendimento e valorizar os profissionais de saúde envolvidos. O Ministro, por sua vez, prometeu um reajuste para impedir o colapso das unidades de diálise no Brasil. A Sociedade apresentou um panorama detalhado dos desafios e apontou caminhos para a construção de um plano de ação robusto e eficaz, que contemple a sustentabilidade dos serviços e a dignidade dos pacientes.
“É imperativo que ações concretas sejam tomadas agora para reverter este cenário e assegurar que nenhum brasileiro seja privado do tratamento que salva vidas”, afirmou o presidente da SBN José Andrade Moura Neto, destacando a importância do diálogo e da parceria para enfrentar este desafio complexo. A Sociedade Brasileira de Nefrologia reforça seu compromisso em colaborar ativamente com o Ministério da Saúde na busca por soluções duradouras para esta crise, manifestando sua esperança de que o encontro marque o início de uma nova fase de atenção e investimentos na saúde renal brasileira.
Sobre a SBN: Fundada em 1960, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) é uma entidade médica e científica que congrega nefrologistas e outros profissionais de saúde interessados na área. Tem como missão promover a educação médica continuada, a pesquisa e a defesa dos interesses dos pacientes renais e dos mais de 4000 profissionais da nefrologia no Brasil.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado






