A política de saúde adotada recentemente pelos Estados Unidos, que retirou a recomendação enfática de diversas vacinas do calendário oficial, continua gerando debates acalorados na comunidade médica global. Mais do que uma decisão administrativa, a medida acende um alerta sobre a influência cultural que o Brasil historicamente absorve do hemisfério norte.
Para discutir esse cenário e o momento atual do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o Jornal do Médico® conversou com a renomada médica e pediatra Dra. Jocileide Sales, atual membro da Comissão de Capacitação e Educação Continuada da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Na pauta: o perigo do “contágio” da desinformação e a introdução de novas tecnologias contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) no Brasil.

A Sombra da Desinformação
Questionada sobre o impacto da decisão do CDC americano — que transferiu ao cidadão a responsabilidade de decidir sobre vacinas cruciais como a de influenza, hepatite e meningite —, a Dra. Jocileide é cautelosa, mas firme. “Tememos, sim, que essa decisão possa influenciar a vacinação no Brasil”, admite.
A preocupação da especialista reside na fragilidade da cobertura vacinal brasileira, que vem sendo recuperada com muito esforço após anos de queda. Para ela, a “livre escolha” num cenário de saúde pública pode ser desastrosa para as populações mais vulneráveis, diferentemente do modelo brasileiro que prioriza o acesso universal e a proteção coletiva.
Lições que não podem ser esquecidas
A especialista evoca a memória recente da pandemia para justificar a necessidade da vacinação em massa, afastando a ideia de que a imunização deva ser uma escolha meramente individual. “A partir do uso da vacina, os vírus reduziram a circulação e as pessoas pararam de morrer”, relembra Dra. Jocileide, que traz também um relato pessoal sobre a perda de sua irmã caçula para a Covid-19, antes da disponibilidade dos imunizantes.
O Brasil avança: A nova era contra o VSR
Enquanto lá fora discute-se a flexibilização, o Brasil caminha na direção oposta, incorporando novas tecnologias. O foco atual é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), vilão das UTIs neonatais.
Dra. Jocileide destaca as atualizações realizadas junto à SOCEP, Sociedade Cearense de Pediatria para a introdução do anticorpo monoclonal para bebês e a vacinação de gestantes. “O uso desse anticorpo completa a estratégia da vacinação das gestantes, transferindo proteção aos fetos e garantindo segurança nos primeiros seis meses de vida”, explica.
Conclusão
Para a especialista, o momento exige confiança na ciência e no histórico de sucesso do Brasil. O recado final é de acolhimento e responsabilidade: “Crianças e adolescentes merecem e precisam do amor e do cuidado para viverem saudáveis”.







