Jornalista MTB/RJ 26110
Coordenação: Argollo de Menezes
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As transformações disruptivas na relação médico-paciente foram o foco da concorrida palestra do advogado Alessandro Marcus, especialista em Direito Médico do escritório AM Gonçalves, no II Congresso de Gestores do Rio de Janeiro. Promovido pela farmacêutica EMS no Hotel Laghetto Stilo Barra, o encontro reuniu proprietários de clínicas, investidores e gestores de saúde para debater desafios e oportunidades na gestão sob uma abordagem 360º — integrando recursos humanos, finanças, marketing e segurança jurídica.
Em sua explanação, o Dr. Alessandro alertou para as frequentes inconformidades na rotina dos consultórios e clínicas, destacando o crescimento de prontuários incompletos e termos de consentimento genéricos, em contraste com a escassez de contratos formais de honorários, propostas claras de serviços e atenção às normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) — cujas penalidades incluem multas expressivas.
Para o especialista, uma instituição verdadeiramente protegida alia o rigor regulatório e documental à capacitação contínua da equipe para aperfeiçoar a comunicação com o paciente. “O paciente é leigo quanto aos termos da medicina, então, é necessário traduzir isso de uma forma simplificada, para que qualquer usuário do serviço compreenda direitos, deveres e os riscos dos procedimentos, mesmo os não cirúrgicos. Antes de cuidar da doença, o médico precisa cuidar do paciente. A medicina está evoluindo tecnologicamente, mas colocando o ser humano em segundo plano, e a essência do cuidar e de transmitir segurança ao paciente, a medicina não pode perder”, enfatizou.
Diante deste cenário, o advogado ressaltou que uma assessoria especializada blinda as clínicas e qualifica a própria experiência do paciente: “O médico deve conhecer seus direitos e seus deveres, até que ponto ele pode agir e quando deve recuar. Também precisa revisar sua documentação, incluindo prontuários, termos de consentimento, contratos de honorários, termos de responsabilidade e até de autorização de uso de imagem. O médico saberá se comunicar melhor com o seu paciente porque receberá treinamento de gestão de clínica, de consultório e orientação para momentos de crise”.
A plateia acompanhou os debates atenta às transformações do mercado de saúde e à crescente judicialização. O ortopedista Dr. João Gaspar ressaltou a mudança no perfil do atendimento:
“A proteção jurídica é uma realidade. Hoje, infelizmente, aquele glamour do médico antigo, que chegava nas casas e encontrava uma toalha de linho para enxugar as mãos, não existe mais. Hoje não existem mais pacientes tradicionais, e sim clientes, contratantes de serviços, e a judicialização se tornou muito grande. E os médicos devem estar preparados para atender as novas necessidades de seus clientes, que agora têm um nível de informação enorme. O paciente às vezes já chega com o diagnóstico pronto, o tratamento informado e os exames na mão. Nós médicos precisamos tomar um cuidado todo especial.” — Dr. João Gaspar, ortopedista.
A ginecologista Dra. Cristina Rodrigues também traçou um paralelo entre as transformações do exercício profissional e a relação de confiança:
“Antigamente, o paciente acreditava e confiava no médico, não importava o que acontecesse. Agora, o paciente é do convênio. Aumentou o desentendimento devido à desinformação por muitas pessoas que se intitulam especialistas na internet. O paciente já chega ao atendimento médico confiante de certezas encontradas na rede. Dependendo da forma que o médico fala, sorri ou dá seu parecer, o paciente pode processar. Está cada vez mais difícil lidar com as pessoas, que estão muito agressivas, se sentindo as donas da verdade. E o médico está tão voltado para o conhecimento sobre saúde que se esquece da importância da orientação jurídica para o atendimento do paciente.” — Dra. Cristina Rodrigues, ginecologista.
Para a Dra. Ana Cristine Barros, ginecologista, obstetra com 40 anos de carreira, perita e médica do trabalho, a abordagem direta e didática do tema foi o grande diferencial do evento:
“Dr. Alessandro falou para a classe médica, o que é uma atitude muito legal. Muitos médicos estão passando por problemas jurídicos por falta de orientação adequada. Aliás, esta deveria ser uma disciplina da faculdade de Medicina. Informar sobre os direitos, os deveres, as situações às quais os médicos estão expostos hoje em dia é muito importante.” — Dra. Ana Cristine Barros, ginecologista e perita médica.
O ginecologista Dr. Gustavo Machado também pontuou a relevância de aproximar a medicina dos preceitos jurídicos preventivos:
“Assistir a uma aula do Dr. Alessandro é sempre um prazer. O Direito Médico é um tema muito atual, mas que a maioria dos médicos conhece pouco. Só o conhecimento ajuda a gente a atuar com maior segurança jurídica.” — Dr. Gustavo Machado, ginecologista.







