A medicina que queremos construir depende das novas gerações: Dra. Cynthia Cordeiro antecipa os debates do I Encontro do Jovem Médico da SOMERJ

Dra. Cynthia Cordeiro | Diretora SOMERJ
Reportagem: Argollo de Menezes
CEO, Editor Jornal do Médico®, Jornalista DRT-CE 1950 e Membro Honorário SOBRAMES-CE | Instagram: @jornaldomedico

A transição entre o ambiente acadêmico da residência e os desafios reais do mercado de trabalho exige competências que ultrapassam a técnica clínica. Dando continuidade à cobertura dos preparativos para o I Encontro do Jovem Médico da SOMERJ / AMB — que acontece nos dias 6 e 7 de novembro na Santa Casa —, o Portal Jornal do Médico® entrevista a Dra. Cynthia Cordeiro, Diretora da SOMERJ e uma das principais lideranças na organização do evento. Na pauta: gestão de carreira, segurança jurídica, liderança feminina na saúde e o fortalecimento do associativismo entre as novas gerações da medicina fluminense.

Jornal do Médico: Qual foi a principal lacuna na transição da residência para o mercado que motivou a realização deste encontro?

Dra. Cynthia Cordeiro: A formação médica oferece uma sólida base de conhecimentos científicos e habilidades clínicas, fundamentais para o cuidado com os pacientes, mas ainda existem lacunas importantes na preparação para a realidade do exercício profissional. Muitos jovens médicos chegam ao mercado sem conhecer suficientemente seus direitos, as diferentes formas de contratação, os aspectos éticos, jurídicos e financeiros da profissão. O encontro nasce justamente da necessidade de aproximar a formação acadêmica da realidade profissional, oferecendo ferramentas para que esses jovens iniciem suas trajetórias com mais segurança, autonomia e consciência do seu papel na sociedade.

“O encontro nasce justamente da necessidade de aproximar a formação acadêmica da realidade profissional, oferecendo ferramentas para que esses jovens iniciem suas trajetórias com mais segurança, autonomia e consciência do seu papel na sociedade.”

Jornal do Médico: Que competências imediatas o recém-formado levará para o seu cotidiano após esses dois dias?

Dra. Cynthia Cordeiro: Queremos que o jovem médico saia do encontro mais preparado para enfrentar os desafios do exercício profissional. A programação aborda questões fundamentais, como planejamento de carreira, contratos, responsabilidade profissional, gestão financeira, comunicação com os pacientes e o uso da inteligência artificial na medicina. Também teremos discussões sobre segurança no ambiente de trabalho, saúde mental e oficinas práticas voltadas para situações de urgência. Nossa proposta é oferecer conhecimentos e ferramentas que contribuam para uma atuação mais segura, consciente e responsável, tanto para o médico quanto para seus pacientes.

Jornal do Médico: De que forma a programação acolhe os desafios específicos da médica no início da trajetória profissional?

Dra. Cynthia Cordeiro: A presença das mulheres na medicina tem crescido significativamente nos últimos anos, já representando hoje a maioria dos profissionais médicos. Entretanto, ainda enfrentamos desafios relacionados à valorização profissional, à ocupação de espaços de liderança, à segurança no ambiente de trabalho e à conciliação entre carreira e vida pessoal. Por isso, teremos um espaço dedicado à discussão sobre a mulher médica, abordando questões como gestação, maternidade e preconceitos ao longo da carreira. Como médica, professora e dirigente de entidades médicas, acredito que precisamos ampliar esse debate, estimular o protagonismo feminino e promover ambientes profissionais mais justos, seguros e com igualdade de oportunidades.

“Como médica, professora e dirigente de entidades médicas, acredito que precisamos ampliar esse debate, estimular o protagonismo feminino e promover ambientes profissionais mais justos, seguros e com igualdade de oportunidades.”

Jornal do Médico: Que convite ou mensagem especial deixa aos acadêmicos, residentes e jovens médicos para comparecerem à Santa Casa nos dias 6 e 7 de novembro?

Dra. Cynthia Cordeiro: Gostaria de fazer um convite especial aos estudantes, residentes e jovens médicos para participarem desse primeiro encontro. Serão dois dias de aprendizado, troca de experiências e discussões sobre temas que fazem parte da realidade da nossa profissão, mas que nem sempre recebem a devida atenção durante a formação médica. E quero destacar especialmente a importância do associativismo. As entidades médicas têm um papel fundamental na representação, na valorização e na defesa da nossa profissão. Precisamos aproximar os jovens médicos dessas entidades, ouvir suas demandas e estimular sua participação nas decisões que impactam o presente e o futuro da medicina. A medicina que queremos construir também depende do envolvimento das novas gerações. Esperamos vocês nos dias 6 e 7 de novembro, na Santa Casa!

Sobre a Entrevistada

Dra. Cynthia Azeredo Cordeiro é graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Campos (FMC), com Residência Médica em Oftalmologia pelo HFAG. Possui Mestrado em Saúde Pública pela UFRJ, Doutorado em Oftalmologia pela UFMG, Pós-doutorado pelo CNPq/UFMG, além de atuação como Research Fellow em Oftalmologia no Massachusetts Eye and Ear (MEEI) / Harvard Medical School e MIT. É especialista em Gestão de Negócios em Saúde (MBA/Faculdade Unimed), Professora responsável pela disciplina de Oftalmologia na FMC, Diretora da SOMERJ, Membro do Conselho de Administração da Unimed Campos e Membro da Câmara Técnica de Oftalmologia do CREMERJ.

Instagram: @cycordeiro | @somerj_associacaomedica

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