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Apreciação Crítica da escultura Vênus de Willendorf

Descrição

Tipo – estatueta

Dimensões -11,1 cm

Material – calcário oolítico

Período – Paleolítico Superior

Criada – entre 24000 e 22000 a.C.

Data de descoberta – 1908

Local – Aggsbach – Willendorf – Áustria

Exposta – Museu de História Natural de Viena (Naturhistorisches Museum)

 

No dia 8 de agosto de 1908, o arqueólogo austro-húngaro Josef Szombathy (1853-1943) entrou para história da arte, quando o trabalhador de sua equipe, Johann Veram, desenterrou uma estatueta de, aproximadamente, 24 mil anos a.C., esculpida em calcário oolítico,

Por ter sido encontrada no sítio arqueológico do paleolítico, no vale do Danúbio, em Willendorf, na Áustria, a estatueta foi batizada de Vênus de Willendorf, ou Mulher de Willendorf.

Trata-se de uma figura feminina nua, em pé, com vulva, mamas e abdome extremamente volumosos. Os braços, quase imperceptíveis, estão apoiados no peito. A cabeça, inclinada para a frente, está coberta por tranças enroladas  que escondem a face. Os pés não foram esculpidos e a simetria está presente na escultura. Restos de pigmentos  encontrados sugerem que a estatueta foi, originalmente, pintada de vermelho.

O atento olhar médico identifica uma gigantomastia, termo que define as hipertrofias mamárias gigantes que causam queixas relacionadas à postura, dores na coluna, distúrbios respiratórios e problemas psicológicos.

A Vênus de Willendorf criou fama mundial, gerou controvérsias no meio científico e foi  vista como: a deusa Mãe-Terra; a deusa da Fertilidade; figura com  status social, graças a sua corpulência em uma sociedade caçadora e coletora; e, também, um simples amuleto.

Em 1864, Paul Hurault (8º Marquês de Vibraye) descobriu no sítio arqueológico de Laugerie-Basse, na França, a primeira representação escultural de uma mulher do Paleolítico Superior. Apelidada de Vênus Impudica, ela apresenta grande fenda vaginal, não tem cabeça, pés ou braços e foi esculpida por volta de 18 a 20 mil anos a.C.

Em 1894, foi encontrada uma miniatura em forma de um busto feminino na Grotte du Pape, localizada perto de Brassempouy, no sul da França. Apelidada de Vênus de Brassempouy, foi esculpida em marfim de mamute, durante o Pleistoceno, por volta de 22 mil anos a.C.

Depois da Vênus de Willendorf, cerca de 200 figuras semelhantes foram encontradas, desde os Pirineus até as planícies da Sibéria. Um destaque especial para a Vênus de Hohle Fels, figura de uma mulher voluptuosa, encontrada em 2008, no sudeste da Alemanha, mais precisamente na caverna Hohle Fels. Trata-se de uma estatueta  esculpida em marfim e mamute, entre 40 a 35 mil anos a.C. A Vênus de Hohle Fels é a representação mais antiga de um ser humano e um dos exemplos mais antigos conhecidos de arte figurativa em todo o mundo.

O predomínio das imagens femininas sobre imagens masculinas, no Período Paleolítico, nos faz pensar que as mulheres desempenhavam papel preponderante naquelas sociedades.

Atualmente, a Vênus de Willendorf está no Museu de História Natural de Viena, fascinando os visitantes com seus mistérios milenares e fazendo-os questionar:  teria havido uma sociedade matriarcal? Ou essas estatuetas nos mostram que a divindade mais importante era feminina e seria a Mãe-Terra?  Fica a indagação!

 

Fortaleza, 19.11.2020

 

dra. ana

 

 

Coluna Medicina, Cultura e Arte
Autora e Coordenadora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg, médica, historiadora, imortal da Academia Cearense de Medicina e conselheira do Jornal do Médico.

 

 

 

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