CEO, Editor Jornal do Médico®, Jornalista DRT-CE 1950 e Membro Honorário SOBRAMES-CE | Instagram: @jornaldomedico
A segurança no ambiente de trabalho e a salvaguarda da dignidade profissional tornaram-se pautas urgentes para a classe médica fluminense. Nesta entrevista exclusiva ao portal Jornal do Médico®, o Dr. Fernando Jorge dos Santos Barros, primeiro-tesoureiro do CREMERJ e diretor do Portal da Defesa Médica do Conselho, detalha como a autarquia tem atuado de forma prática para acolher médicos vítimas de agressão e atrasos nos honorários. O especialista também esclarece os fluxos institucionais corretos para combater a invasão de prerrogativas e os abusos na saúde suplementar, reforçando o compromisso da gestão com a blindagem do exercício profissional. Confira:
Jornal do Médico®: Dr., infelizmente, episódios de agressão física e verbal contra médicos em ambiente de trabalho têm se tornado frequentes. De que forma o Portal da Defesa Médica foi estruturado para acolher esse profissional agredido no exercício da profissão e quais medidas práticas de amparo e segurança o CREMERJ passa a oferecer de forma imediata através da plataforma?
“O portal foi criado justamente para transformar a denúncia em providência. O objetivo é que o profissional não se sinta sozinho diante da violência e tenha respaldo para preservar sua integridade.”
Jornal do Médico®: Médicos relatam sofrer pressões e restrições por parte de operadoras e planos de saúde na hora de prescrever tratamentos, solicitar exames ou internar pacientes. Como o novo portal vai atuar na defesa da autonomia do médico frente à saúde suplementar e como o conselho pretende intervir nesses casos de interferência na conduta clínica?
A autonomia médica precisa ser preservada, porque é ela que garante que a decisão clínica seja tomada com base na necessidade do paciente, e não em critérios meramente administrativos ou financeiros. Quando há indícios de cerceamento à prescrição, à solicitação de exames ou à indicação de internação, a Comssu pode buscar esclarecimentos junto às operadoras e atuar para que essas práticas sejam corrigidas.
“A autonomia médica precisa ser preservada, porque é ela que garante que a decisão clínica seja tomada com base na necessidade do paciente, e não em critérios meramente administrativos ou financeiros.”
Jornal do Médico®: A invasão das prerrogativas exclusivas do médico por outras profissões é uma das grandes preocupações da classe atualmente. Como o Portal da Defesa Médica vai centralizar e agilizar o canal de denúncias contra o exercício ilegal da medicina e qual o papel do CREMERJ na judicialização contra essas práticas no Rio de Janeiro?
A partir desses relatos, o CREMERJ pode avaliar tecnicamente cada caso, reunir elementos, acionar os órgãos competentes e, quando necessário, adotar medidas administrativas ou judiciais. O ponto central é proteger a sociedade e garantir que atos médicos sejam praticados por profissionais legalmente habilitados, porque essa não é apenas uma pauta corporativa: é uma questão de segurança do paciente.
“Garantir que atos médicos sejam praticados por profissionais legalmente habilitados não é apenas uma pauta corporativa: é uma questão de segurança do paciente.”
Jornal do Médico®: Muitos profissionais deixam de denunciar abusos corporativos ou agressões por receio de burocracia ou retaliação. Como o desenho do Portal da Defesa Médica garante o sigilo, a desburocratização e a segurança necessários para que o médico se sinta respaldado a relatar essas irregularidades?
Nas denúncias que são da alçada do portal — geralmente relacionadas a atraso salarial e a situações de agressão no exercício da medicina — o médico pode relatar o ocorrido de forma objetiva e optar por não ter sua identidade exposta. Essa possibilidade de preservação da identidade é fundamental para dar confiança ao profissional e permitir que o CREMERJ tenha conhecimento dos problemas enfrentados na ponta. A partir dessas informações, o Conselho pode avaliar cada caso, orientar o médico e adotar as providências cabíveis com mais agilidade e responsabilidade.
“Nas denúncias relacionadas a atrasos salariais e agressões, o médico pode relatar o ocorrido de forma objetiva e optar por não ter sua identidade exposta para evitar retaliações.”
Jornal do Médico®: Para encerrar, o lançamento do Portal da Defesa Médica parece sinalizar um posicionamento mais firme da atual gestão. Que mensagem o CREMERJ envia ao mercado de saúde e à sociedade fluminense ao blindar o médico contra agressões, interferências indevidas, exercício ilegal da medicina e desvalorização da sua formação?
Na prática, isso significa que o CREMERJ passa a contar com instrumentos mais claros para acolher denúncias, orientar o médico, cobrar providências e atuar junto aos responsáveis quando houver violação das condições mínimas para o exercício profissional. O Conselho sinaliza ao setor de saúde e à sociedade fluminense que o médico precisa ser respeitado em sua segurança, em sua autonomia técnica, em sua remuneração e em sua dignidade. Defender o médico é também defender o paciente e a qualidade da assistência prestada à população.
Sobre o entrevistado:
Dr. Fernando Jorge dos Santos Barros (CRM 49260-7/RJ | RQE Nº 32092) é médico graduado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), mestre em Otorrinolaringologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-professor da disciplina na Unigranrio. Atualmente, integra o corpo clínico dos hospitais Municipal Souza Aguiar e Federal do Andaraí.
Com destacada atuação institucional na defesa profissional no estado do Rio de Janeiro, o especialista exerce os cargos de primeiro-tesoureiro do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) e diretor do Portal da Defesa Médica da autarquia.







