Há algo profundamente desolador em se deparar com alguém que fala sem compromisso com a verdade, que transforma a palavra — esse dom sagrado que constrói pontes, consola corações e abre caminhos — em ferramenta de engano. O mentiroso sem deontologia não apenas falseia fatos; ele trai a essência do humano, a confiança que sustenta relações, a dignidade que dá sentido ao viver em comunidade.
A deontologia, mais do que um código ético, é um pacto silencioso que todos deveríamos carregar no peito: o de honrar a verdade, de respeitar o outro com aquilo que pronunciamos. Quando ela é abandonada, a mentira ganha corpo. E a mentira, embora pareça inofensiva em alguns lábios, tem o poder de corroer lentamente as fibras da confiança, deixando atrás de si um rastro de desconfiança e dor.
O mentiroso, sem o alicerce da deontologia, vive num terreno instável. Constrói castelos de palavras ocas, que desmoronam ao menor sopro da realidade. Ele até pode seduzir com seu discurso momentâneo, mas, cedo ou tarde, o véu da ilusão cai, e a máscara se desfaz. Porque a verdade, por mais abafada que esteja, encontra sempre um jeito de florescer.
E o que sobra, então? Sobra o vazio. O vazio da palavra desacreditada. O vazio do olhar que já não inspira confiança. O vazio da presença que já não traz paz, mas desconfiança e incerteza. Não há solidão maior do que ser visto como alguém cuja palavra nada vale.
A vida pede honestidade. O coração humano, em sua vulnerabilidade, clama por sinceridade. Não se trata de ser perfeito, mas de ser íntegro, de ter a coragem de assumir falhas, de respeitar o outro com a verdade, mesmo quando ela dói. Porque a verdade dói, mas liberta; a mentira acaricia, mas aprisiona.
O mentiroso sem deontologia esquece que a palavra não é apenas som — é responsabilidade, é semente lançada no terreno da alma do outro. E toda semente germina. A mentira gera desconfiança, a verdade gera confiança. Uma constrói, a outra destrói.
No fim, cada um deixa uma marca. Uns deixam rastros de luz, porque suas palavras foram alicerçadas na verdade e no respeito. Outros deixam apenas o eco amargo de um discurso vazio, de uma vida sem deontologia, onde a mentira reinou.
E você? Prefere ser lembrado como alguém cuja palavra iluminava ou como aquele cuja fala nunca sustentava o peso da verdade?
Rossana Köpf – psicanalista
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