Uma cepa considerada “menor” da Gripe Aviária, tem potencial para desencadear uma nova pandemia em humanos.

Um vírus da gripe aviária, frequentemente ignorado por causar principalmente doenças leves em aves, tem potencial para causar uma pandemia em humanos, afirma uma equipe, que rastreou como o vírus H9N2 se adaptou para infectar pessoas. Os pesquisadores dizem que é necessário um maior monitoramento do vírus.

Nos últimos anos, o foco do monitoramento tem sido o vírus da gripe aviária H5N1, que se espalhou pela maioria dos continentes, e pode causar doenças graves e morte em humanos. Desde 2020, o H5N1 matou cerca de 21 pessoas. Na América do Norte, o vírus também está se espalhando entre vacas leiteiras.

Menos atenção tem sido dada ao H9N2, afirma o Dr. Kelvin To, microbiologista clínico da Universidade de Hong Kong, apesar de o vírus ser a segunda cepa mais comum de gripe aviária que infecta humanos. O H9N2 causou 173 infecções em humanos desde 1998, principalmente na China, diz To, que apresentou a pesquisa de sua equipe no Simpósio Internacional da Aliança de Pesquisa em Pandemias, em Melbourne, Austrália, em 27 de outubro.

O H9N2 pode ser mais prevalente do que imaginamos, afirma Dra. Michelle Wille, que estuda a gripe aviária no Instituto Peter Doherty para Infecção e Imunidade, em Melbourne. As infecções provavelmente estão passando despercebidas, porque não resultam em infecções graves ou hospitalização em humanos, ou porque as pessoas são testadas com mais frequência para o H5N1, acrescenta ela.

Alterações genéticas

Os cientistas ainda não encontraram evidências de transmissão de pessoa para pessoa do H9N2, o que seria necessário para que ele levasse a uma pandemia. Mas To e sua equipe descobriram, que o H9N2 sofreu alterações genéticas que começaram por volta de 2015, e que tornaram o vírus mais infeccioso. Em experimentos com células, uma versão do vírus H9N2 coletada em 2024, infectou mais células humanas, do que uma amostra histórica coletada em 1999. A versão moderna também apresentou melhor ligação a vários receptores em células humanas. Isso significa que o vírus se adaptou para se espalhar entre as pessoas, relataram To e seus colegas, na revista Emerging Microbes & Infections, no início deste mês.

O vírus precisaria sofrer diversas outras alterações, antes de conseguir causar transmissão sustentada entre humanos, afirma Wille. Ele precisa se modificar para se ligar preferencialmente a receptores humanos, em vez de receptores encontrados em células de aves, e precisa adaptar sua capacidade de replicação em temperaturas e níveis de pH diferentes dos encontrados em humanos e aves.

É necessário aumentar a vigilância e a comunicação sobre os riscos da gripe aviária, diz Wille. Parte do problema reside no fato, de que os países não são obrigados a notificar infecções causadas por cepas consideradas de baixa patogenicidade, como a H9N2.

To afirma que uma maior vigilância viral entre mamíferos em contato próximo com aves selvagens ou domésticas ajudaria os cientistas a entenderem se o vírus se adaptou a mamíferos que não sejam humanos.

Ele está preocupado com o fato de que, quando os animais são infectados por múltiplos vírus, o material genético se mistura e recombina, quando os vírus se replicam dentro da célula, podendo criarnovos vírus, capazes de infectar humanos. Os cientistas temem que essa recombinação, também possa ocorrer em pessoas. To afirma que outras pesquisas encontraram material genético do H9N2 entre os vírus que causaram surtos anteriores de gripe aviária em humanos.

Referente ao artigo publicado em Nature

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