Como estão sendo formados os novos médicos? Quais são os impactos no papel crítico da liderança na saúde?

Dra. Cristina Quatrat | CRM/RJ 53716 Médica formada há 37 anos com atuação em gestão do setor de saúde público e privado, nacional e internacional há 27 anos.

A formação médica tradicional, embora bem robusta em ciência e prática clínica, historicamente apresenta lacunas significativas que impactam diretamente o desenvolvimento de líderes eficazes para a saúde. Mudanças são necessárias, os novos currículos precisam abordar:

* Metodologias Ativas (PBL): Estimular o raciocínio crítico, a busca autônoma por conhecimento e a aplicação da teoria em casos clínicos reais ou simulados.

* Habilidades Não Técnicas (Soft Skills): Comunicação eficaz, empatia, inteligência emocional, trabalho em equipe, resiliência e adaptabilidade são tão vitais quanto as habilidades clínicas.

* Tecnologia e Inovação: Integração de ferramentas digitais como telemedicina, prontuários eletrônicos, inteligência artificial e análise de dados (assistenciais e financeiros) já fazem parte de tomada de decisões clínicas.

* Ética, Humanização e Profissionalismo: O reforço da ética médica, respeito à autonomia do paciente, compreensão das determinantes sociais da saúde e cuidado centrado no indivíduo fazem parte do exercício da profissão.

* Saúde Coletiva e Global: Compreensão dos sistemas de saúde, políticas públicas e epidemiologia, permiti a atuação em diversos níveis de atenção e colaboração internacional.

* Aprendizagem Contínua: Desenvolver a mentalidade de “aprendizes ao longo da vida” cria capacidade de gerenciar a vasta e crescente quantidade de informações e inovações.

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Essa abordagem na formação impacta criticamente na liderança da saúde, que precisa ser reconhecida como um pilar fundamental para a excelência, inovação e sustentabilidade dos sistemas. Não se trata apenas de posições hierárquicas, mas de um conjunto de habilidades que todos os profissionais devem cultivar. Médicos com essa formação tendem a ser:

* Promotores de Qualidade e Segurança do Paciente: Lideram a criação de uma cultura de segurança e implementam protocolos baseados em evidências.

* Gestores de Equipes Multidisciplinares: Inspiram, motivam e garantem a sinergia entre diferentes profissionais para o bem do paciente.

* Líderes de Inovação e Adaptação: Identificam oportunidades e impulsionam a adoção de novas tecnologias e práticas.

* Advogados e Desenvolvedores de Políticas de Saúde: Atuam na defesa de melhorias e na formulação de políticas públicas.

* Eficientes na Gestão de Recursos: Otimizam processos e promovem a eficiência sem comprometer a qualidade assistencial.

* Mentores e Facilitadores do Desenvolvimento Profissional: Orientam e contribuem para a formação de novas gerações.

* Focados na Resiliência e Bem-estar: Protegem suas equipes e promovem um ambiente de trabalho saudável.

Em suma, a formação de novos médicos precisa desenvolver profissionais que combinem excelência técnica com habilidades interpessoais, visão sistêmica e capacidade de adaptação, posicionando-os para uma liderança transformadora e capaz de promover um futuro mais eficiente, humano e inovador para a saúde.

Autora: Dra. Cristina Quatrat | CRM/RJ 53716

Médica formada há 37 anos com atuação em gestão do setor de saúde público e privado, nacional e internacional há 27 anos.

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