Quando falamos de agorafobia, muitas vezes pensamos imediatamente no medo de espaços abertos ou multidões. Na realidade, para quem a vivencia, a situação é um pouco diferente. Não é tanto o lugar em si que assusta, mas o que pode acontecer enquanto se está lá. Mais precisamente, a sensação de perder o controle a qualquer momento. É um medo sutil que nem sempre surge de repente. Às vezes, ele se constrói lentamente, quase imperceptivelmente. Talvez tudo comece com um único episódio: um momento de intensa ansiedade em um lugar lotado, o coração acelerado, a respiração curta… Então a lembrança persiste. E essa lembrança, com o tempo, se transforma em uma antecipação.
Assim, até as situações mais corriqueiras começam a parecer tensas. Ir ao supermercado, esperar em uma fila, entrar em um ônibus. Essas coisas aparentemente triviais, pelo menos. Mas na mente de quem sofre de agorafobia, elas se transformam em cenários repletos de “e se…”. E se eu me sentir mal? E se eu não puder sair? E se eu perder o controle na frente dos outros?
O problema é que esses pensamentos não são apenas pensamentos. O corpo realmente reage: suor, tontura, palpitações. Nesse ponto, fica difícil distinguir entre o perigo real e a percepção de perigo. E, muitas vezes, a solução mais imediata parece ser apenas uma: ir embora.
Com o tempo, porém, essa estratégia acaba restringindo cada vez mais a vida da pessoa. Começa com a evitação de certas situações, depois de contextos inteiros. Algumas pessoas acabam se sentindo seguras apenas em alguns lugares, às vezes apenas em casa. E embora isso proporcione alívio imediato, a longo prazo reforça a ideia de que o mundo exterior é muito difícil de lidar. De fora, tudo isso não é visível. Quem observa pode pensar em uma pessoa fechada, antissocial, talvez até preguiçosa. Mas a realidade é bem diferente. Há uma tensão constante, uma espécie de diálogo interno que nunca termina de verdade.
A boa notícia é que essa condição pode ser tratada. Não há solução instantânea, e é justo dizer isso, mas existem maneiras de ajudar a reduzir o medo. Muitas vezes, tudo começa com pequenos passos: expondo-se gradualmente, aprendendo a reconhecer os sinais do seu corpo, desafiando aqueles pensamentos automáticos que parecem tão convincentes.
Um aspecto que realmente faz a diferença é o seu ambiente. Sentir-se compreendido, e não julgado, faz toda a diferença. Coisas ditas levianamente, mesmo com boa fé, podem pesar mais do que você imagina. Pelo contrário, um pouco de escuta genuína pode aliviar um fardo que, para quem o vivencia, está longe de ser trivial.
Em última análise, a agorafobia tem a ver com algo muito humano: a necessidade de se sentir seguro. Só que, neste caso, essa necessidade se torna tão forte que limita a liberdade. E é justamente a partir daí, dessa consciência, que se pode iniciar um caminho para recuperá-la, um passo de cada vez.
Se você acha que sofre de agorafobia, portanto, tente combatê-la e não ceder a ela. Isso não significa ir imediatamente a um shopping lotado, mas sim confrontar gradualmente esse “amigo” incômodo. Você não merece viver uma vida limitada. Se quiser, considere também entrar em contato com um psicólogo especializado no tratamento de fobias: eles podem fazer muito e a taxa de sucesso é alta.

Rossana Kopf – Psicanalista
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