XI Congresso Brasileiro de Direito e Saúde propõe um olhar mais humano sobre os desafios da saúde e da judicialização.
Há momentos em que a saúde deixa de ser apenas uma questão médica e passa a ser uma luta por dignidade. É quando uma família, diante da doença, da espera ou da falta de acesso a um tratamento, precisa recorrer à Justiça para fazer valer um direito que deveria alcançar todos.
Por trás de cada processo existe uma história que não aparece nos números. Existe uma mãe que perdeu o sono, um pai que tenta manter a esperança, um idoso esperando atendimento, uma criança que precisa de cuidados e um profissional de saúde que também carrega consigo a responsabilidade de cuidar.
É nesse território delicado, onde o Direito encontra a medicina e onde as leis encontram pessoas reais, que acontece o XI Congresso Brasileiro de Direito e Saúde, de 3 a 6 de novembro de 2026, em Fortaleza, no Auditório Hugo de Brito Machado, da OAB Ceará.
Idealizado pelo Dr. Ricardo Madeiro, médico e advogado, e pela Procuradora da Saúde Isabel Porto, o congresso nasce com a proposta de ampliar o diálogo e aproximar diferentes áreas que participam da construção de uma saúde mais justa e humanizada.
O tema desta edição — “A Saúde e a Judicialização: Financiamento, Terceiro Setor, Tecnologia e Humanização” — reúne questões fundamentais para o presente e o futuro da saúde. Mas existe algo que precisa permanecer no centro de qualquer discussão: o ser humano.
Falar em judicialização é falar também de espera, angústia e esperança. Uma decisão judicial pode representar, para alguém, muito mais do que uma sentença. Pode significar a possibilidade de continuar um tratamento, aliviar uma dor, recuperar a autonomia ou simplesmente ganhar mais tempo ao lado de quem ama.
Por isso, o debate não pode se limitar a números, processos ou estatísticas. É necessário compreender o que existe por trás deles.
A tecnologia avança, os sistemas de saúde enfrentam novos desafios, o financiamento precisa ser discutido e o terceiro setor exerce um papel cada vez mais importante. O Direito, por sua vez, permanece como instrumento essencial para a garantia de direitos. Porém, nenhum desses caminhos terá sentido pleno se a humanidade for esquecida no percurso.
O congresso propõe justamente essa reflexão: como construir soluções eficientes sem deixar de enxergar quem está do outro lado? A abertura acontece no dia 3 de novembro, às 19h. Nos dias 4, 5 e 6, a programação será realizada das 8h às 18h, totalizando 30 horas de atividades presenciais.
Mais do que um encontro de especialistas, o evento representa uma oportunidade de escutar diferentes vozes e buscar respostas para uma saúde que precisa ser, cada vez mais, técnica sem deixar de ser humana.
Porque, no fim de cada discussão sobre Direito e Saúde, existe alguém esperando. E talvez essa seja a lembrança mais importante: antes de ser um número, um processo ou um diagnóstico, cada pessoa é uma vida inteira. Uma história. Uma família. Um sonho. E nenhuma sociedade verdadeiramente justa pode esquecer disso.

Rossana Köpf – Psicanalista
Imagem: Magnific (Freepik)







