A vida é uma constante lição para quem tem a humildade de reconhecer sua limitação, sua vulnerabilidade e sua falha humanidade. Somos cheios de erros e jamais teremos a aptidão divina de imaginar muitas coisas, nuances e verdades, que pass(ei)am na mente ou no viver alheios; e também frequentemente não conseguiremos agir exatamente com a maestria que alegra o nosso coração, e de quem está por perto. Entender a razão das dores do mundo precisa passar pelo crivo do conhecimento, pelas veredas da fértil imaginação, pela precisão de aceitar diferenças e acatar a aceitação, pelo limite do coração, por um vazio do tamanho de Deus, pelo abismo de nossa ignorância, e pelo infinito amor que não temos a habilidade de entender e de achar, e que somente Ele tem a condição de ofertar. Todo homem vê melhor olhando de baixo. A Odisseia é a volta para ver o sorriso do olhar e do amor eterno, que nunca se apaga, nem se acaba. Que ela seja um recanto de humor transformador, e de amor bem-humorado.
Alguns acontecimentos nos jogam no poço das desilusões e da tristeza, onde precisamos aprender o que é a rejeição e a desaprovação, como transformar dor em amor, e como conseguir (com dignidade) a necessária liberdade que cativa a todos – mesmo cerceados pelos limites que carregamos, ou pelos desejos que nutrimos no coração. Muitas vezes, somos arremessados nessa situação, porque não temos a capacidade de entender o que vem do fruto dos relacionamentos; pela nossa inabilidade humana, ou pelo ego(ismo) enraizado nas nossas fragilidades. Não ter a condição de imaginar ser a razão da dor alheia que não tem explicação, ou querer corrigir tudo, faz parte do viver de quem treina e aprende todo dia o poder de amar, e de fazer o bem. Todas as pessoas têm o seu querer, sua essência, e sentem um sentir diferente – precisamos respeitar e compreender. Odisseia é uma ode ao ser que vale a pena, ao brilho da esperança que se renova, e ao existir. Cada um vive de suas glórias, ruínas, a(fé)tos, valores, desejos, amores e vitórias.
Odisseia é um caminho de carinho, gentileza, generosidade, cuidado e amor; é uma travessia que ensina a viver, e nos faz ser o que somos, e o que devemos ser. É um chamamento para despertar pessoas sobre a necessidade do continuar, mesmo quando estão grampeadas ou algemadas pelo peso do pesadelo da dor, do não entender, ou do padecer que não querem perceber, viver, ou aceitar. Que escutemos o olhar e o pensar alheio adiante de nossa capacidade de compreender, e aprimoremos a razão, a inteligência, a destreza e o saber para bem conversar, e se convencer (o silêncio salva alguns e maltrata muitos). Que a odisseia seja um estímulo, um destino, um permanecer, um ajudar constante, um respeito contínuo, um perseverar, um vínculo para resgatar, um não precisar entender mas ficar, um acatar o alheio, o cicatrizar de uma ferida, a bondade cheia de fulgor, a verdade, o freio do julgar direto ou incorreto, o crescer com a força do bem, e o ardor do laço do afeto. Que sejamos raiz, essência, energia, fermento do bem, compaixão e bom valor; para multiplicar no alheio, e na nossa consciência, o vigor da alegria do amor.

Russen Moreira Conrado
CREMEC 5255
RQE – Cirugia Geral 1777
RQE – Cirurgia Plástica 1811
Cirurgião Plástico e Psicoterapeuta
Imagem: Magnific







