Existe um vínculo invisível, porém fortíssimo, que hoje une muitas pessoas ao próprio smartphone. Um fio sutil feito de notificações, mensagens e conexão contínua. Quando esse fio se estica demais, surge a nomofobia: o medo de ficar sem celular, sem bateria, sem crédito ou sem cobertura de rede.
Quem sofre desse problema experimenta verdadeiros estados de ansiedade sempre que o telefone não está disponível. Para se proteger dessa sensação de vazio e inquietação, adota comportamentos tranquilizadores: verifica com frequência o crédito disponível, carrega sempre um carregador de emergência, comunica aos familiares números alternativos “para qualquer eventualidade”. São pequenos gestos que, no entanto, revelam uma necessidade mais profunda de segurança.
Além disso, não é raro que a nomofobia se manifeste por meio do uso do smartphone em lugares ou situações geralmente inadequados, como se o telefone fosse um refúgio constante, uma presença da qual é difícil se separar, mesmo que seja apenas por alguns minutos.
É importante reconhecer que, por trás desse medo moderno, às vezes pode se esconder uma verdadeira dependência das novas tecnologias. Não se trata apenas de hábito ou comodidade, mas de um vínculo que pode influenciar o bem-estar psicológico e a qualidade de vida.
A relação com outras dependências
Segundo estudos de David Greenfield, professor de psiquiatria da Universidade de Connecticut, a dependência do smartphone apresenta muitas semelhanças com outras formas de dependência. O motivo está nas interferências na produção de dopamina, o neurotransmissor que regula o circuito cerebral da recompensa e nos impulsiona a repetir comportamentos associados ao prazer.
O smartphone, com sua promessa constante de estímulos, conexões e gratificações imediatas, torna-se assim um poderoso ativador desse mecanismo. A dependência do celular pode gerar consequências psicológicas mais profundas e significativas do que o simples medo de não verificar as redes sociais ou de não receber uma mensagem.
A pesquisa sobre a memória transativa evidencia, de fato, outro aspecto delicado: quando temos à disposição fontes externas confiáveis de informação, nossa motivação e capacidade de memorizar diminuem. Ao confiarmos constantemente no smartphone, delegamos a ele a tarefa de lembrar, orientar-se e saber.
Em outras palavras, quando uma fonte externa está sempre pronta para responder por nós, com o tempo corremos o risco de perder o desejo de lembrar, de aprender e de explorar além daquilo que aparece na tela. Recuperar o equilíbrio, hoje, também significa redescobrir o valor da presença, da memória e de uma conexão mais autêntica conosco mesmos e com os outros.
Rossa Köpf – psicanalista
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