Artigo publicado na Nature em 04/06/2026,onde pesquisadores de diferentes países a terapia ativa uma proteína que pode impedir a progressão da fibrose pulmonar.
Uma doença pulmonar misteriosa, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e para a qual não há cura, foi tratada em ratos com um medicamento, que atua em um mecanismo até então desconhecido.
A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença potencialmente fatal, na qual o tecido pulmonar fica cicatrizado, dificultando a respiração e, comumente, levando à morte na maioria dos casos. Dois medicamentos são atualmente utilizados para retardar a progressão da doença, mas não demonstraram melhorar os sintomas. Os mecanismos biológicos que desencadeiam a FPI são, em grande parte, desconhecidos.
Em um estudo publicado na revista Science Translational Medicine, o Dr. Stavros Garantziotis, médico-pesquisador do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental em Durham, Carolina do Norte, e sua equipe, mostram que ratos com uma mutação no gene do receptor toll-like 5 (Tlr5), são mais suscetíveis à FPI, do que ratos sem a mutação. O gene codifica um receptor que reconhece bactérias, desencadeando uma resposta imune à infecção. Com o gene mutado, os receptores não funcionam corretamente, tornando o organismo mais suscetível a infecções.
O Dr. Garantziotis afirma, que o estudo é o primeiro a identificar uma ligação genética entre o microbioma pulmonar e a fibrose pulmonar idiopática (FPI). Os pesquisadores descobriram que os receptores TLR5 nas células das vias aéreas são ativados em resposta a lesões pulmonares, e impedem o crescimento excessivo de bactérias nocivas. A FPI se desenvolve após lesões pulmonares causadas pelo tabagismo, infecções recorrentes e exposição a fatores ambientais.
Mas nem todas as pessoas que sofrem essas lesões, desenvolvem FPI, e a genética individual e os tipos de bactérias, que causam as infecções, podem influenciar, afirma o Dr. Brian Oliver, pesquisador de respiração e poluição da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália.
O Dr. Oliver diz que as últimas descobertas são empolgantes, porque revelam uma nova via relacionada ao desenvolvimento da FPI. “É uma ideia muito inovadora” analisar o receptor TLR5, acrescenta ele, porque não é algo que muitas pessoas associariam a uma doença pulmonar fibrótica.
O direcionamento da proteína com medicamentos poderia impedir a progressão da doença, afirma o Dr. Garantziotis.
Ligando o microbioma à doença
Para modelar a fibrose pulmonar idiopática (FPI) em camundongos, os pesquisadores administraram aos roedores, um medicamento que danifica os pulmões. Quando o gene TLR5 foi deletado, os camundongos desenvolveram mais fibrose, perderam mais peso e apresentaram menor probabilidade de sobrevivência, em comparação com os camundongos do grupo controle, que possuíam o receptor. Os camundongos sem o receptor, também apresentaram menor diversidade microbiana e atividade antimicrobiana reduzida nas células que revestem os pulmões, em comparação com os camundongos do grupo controle.
A equipe testou um tratamento feito a partir de uma proteína bacteriana, que ativava o TLR5 antes da administração do medicamento que danifica os pulmões aos camundongos. Os pesquisadores descobriram, que os camundongos perderam menos peso, apresentaram maior sobrevida e menor fibrose, do que os camundongos que receberam solução salina. Os camundongos sem o gene TLR5 não apresentaram benefícios, o que corrobora a teoria de que o TLR5 desempenha um papel no desenvolvimento da FPI.
O Dr. Garantziotis e sua equipe, estão agora trabalhando no desenvolvimento de formulações do tratamento que ativam o TLR5, as quais podem ser inaladas. “Agora sabemos que são as células que revestem as vias aéreas, as responsáveis pelos efeitos benéficos, então queremos ativar apenas essas células, e garantir que nosso tratamento seja direcionado exatamente para onde precisa chegar”, afirma.
O Dr. Oliver diz que o próximo passo será validar as descobertas em humanos, e testar se é possível interferir na via TNR5, para tratar a FPI ou reverter a fibrose.
Artigo original: https://www.nature.com/articles/d41586-026-01789-x

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