Dr. Marcelo Cursino defende a força do cooperativismo contra a precarização na medicina

Reportagem: Irma Lasmar
Jornalista MTB-RJ 26110
Coordenação: Argollo de Menezes
CEO, Editor Jornal do Médico®, Jornalista DRT-CE 1950 e Membro Honorário SOBRAMES-CE | Instagram: @jornaldomedico

Defender o profissional para obter seu melhor desempenho – esta é a rotina do Dr. Marcelo Cursino, vice-presidente e, desde 2021, diretor financeiro da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Estado do Rio de Janeiro (Coopanest Rio). Primeira e única cooperativa do gênero no estado, fundada em 1987, ela reúne quase 2.000 médicos anestesistas com o objetivo de fortalecer a classe, garantir remuneração justa junto aos planos de saúde e gerenciar faturamento e glosas médicas. Nesta entrevista exclusiva, Dr. Cursino convoca seus colegas anestesistas para se unirem contra a precarização e a favor da qualidade assistencial. Confira:

Jornal do Médico®: Com a crescente pressão do mercado de saúde, como a Coopanest Rio tem agido para frear a precarização do trabalho e garantir a autonomia dos anestesiologistas?

Dr. Marcelo Cursino: A precarização na saúde acontece gradualmente, em que o mercado vai pressionando o médico no campo assistencial, social, financeiro e/ou administrativo. Buscamos unir os anestesistas, sob nosso guarda-chuva, para batalhar por contratos que respeitem autonomia e honorários. Nesse processo, tornou-se essencial a parceria com a SAERJ, sinérgica sob o ponto de vista associativo e também científico, de forma que ambos consigamos representar cada vez mais os profissionais dessa especialidade.

Jornal do Médico®: A precarização do trabalho médico resulta muitas vezes em sobrecarga. Como o cooperativismo atua também na garantia da segurança do ato anestésico e do paciente?

Dr. Marcelo Cursino: Todo anestesista trabalha pressionado por condições contratuais insatisfatórias e sem perspectiva de melhorias financeiras. Sobrecarregado, o médico não atua com total rendimento. Quando a cooperativa batalha por melhores contratos, alivia um pouco o peso sobre o anestesista, que foca no paciente. Uma vez que conseguimos trazer os anestesistas para a nossa rede, fazemos parcerias e trazemos suporte técnico, representando-os inclusive junto ao sindicato e ao Cremerj.

“Sobrecarregado por condições insatisfatórias, o médico não atua com seu total rendimento. Quando a cooperativa batalha por contratos melhores, ela alivia esse peso para que o anestesista foque no paciente.”

Jornal do Médico®: Na prática, de que forma a cooperativa atua para garantir a segurança jurídica e o equilíbrio contratual nas relações entre esses grandes players e os médicos na ponta?

Dr. Marcelo Cursino: A cooperativa corre atrás do equilíbrio contratual entre seguradoras e anestesistas, acompanhando sempre as mudanças da legislação brasileira para utilizar a favor dos nossos cooperados. Criamos relacionamento com os hospitais para a troca de informações, de modo a evitar problemas administrativos entre os profissionais e seus empregadores.
Dr. Marcelo Cursino, Diretor Financeiro da Coopanest Rio

Dr. Marcelo Cursino, vice-presidente e diretor financeiro da Coopanest Rio (Foto: Jornal do Médico® Gabriel Monteiro)

Jornal do Médico®: Os custos na saúde sobem constantemente, mas os honorários médicos raramente acompanham. Como a cooperativa trabalha para garantir a recomposição das perdas?

Dr. Marcelo Cursino: A inflação médica é uma das mais absurdas, beirando duas ou três vezes o IPCA. A maioria dos contratos hoje apresenta uma cláusula de reajuste mínimo baseado no IPCA. Eventualmente em algum contrato a cooperativa não consegue isso devido à disparidade de forças entre nossa entidade e as operadoras. No ano passado, obtivemos êxito, conquistando uma média entre 0,2 e 0,3 pontos percentuais acima do IPCA. Contudo, só esta medida não resolve todos os problemas, pois as glosas continuam aumentando. Então, a gente tenta tomar medidas operacionais para encurtar o prazo de pagamento ao cooperado.

“A inflação médica beira duas ou três vezes o IPCA. Além de buscar reajustes contratuais, implementamos medidas operacionais para encurtar o prazo de pagamento ao cooperado.”

Jornal do Médico®: Para o médico que ainda enxerga a cooperativa como uma intermediadora de repasses, qual a sua mensagem sobre o verdadeiro papel do cooperativismo?

Dr. Marcelo Cursino: A cooperativa é o próprio anestesista. Nosso ganha-pão é a prática da medicina. Se os cooperados tiverem a consciência de que eles são a própria cooperativa, conseguimos uma força de representação direta junto às operadoras que nenhum médico, individualmente, alcança perante aqueles que detêm o capital.

“Se os cooperados tiverem a consciência de que eles são a própria cooperativa, conseguimos uma força de representação que nenhum médico individualmente alcança perante o grande capital.”

Jornal do Médico®: Que perspectiva o médico deve considerar para encarar o panorama com otimismo?

Dr. Marcelo Cursino: Não há como encarar o panorama com otimismo sem reconhecer a importância da união da categoria, o que perpassa pela consciência de que a cooperativa é um grupo unido em que todos têm voto e voz. Somos um canal aberto ao anestesista.

Sobre o entrevistado:

Dr. Marcelo Cursino é médico anestesiologista com destacada atuação na defesa profissional e na gestão do cooperativismo médico no estado do Rio de Janeiro.

Atualmente, exerce as funções de vice-presidente e, desde 2021, de diretor financeiro da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Estado do Rio de Janeiro (Coopanest Rio). Fundada em 1987, a entidade reúne quase 2.000 especialistas fluminenses, atuando de maneira firme na representação da classe, na segurança jurídica contratual e na sustentabilidade da prática médica. Destaca-se ainda como membro da Comissão de Defesa Profissional da SAERJ e da Câmara Técnica de Anestesia do CREMERJ.

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