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– APRECIAÇÃO CRÍTICA DE UMA OBRA DE ARTE – Ala do Hospital de Arles

Apreciação crítica da obra de arte Ala do Hospital de Arles

A pintura “Ala do hospital de Arles”, de Vincent Van Gogh, é um óleo sobre tela, 74 x 92 cm, de abril de 1889. Pertence à Coleção de Oskar Reinhart (1885-1965) e encontra-se na cidade de Winterthur, na Suíça. A referida coleção ocupa dois museus, o Kunst Museum Winterthur | Reinhart am Stadtgarten, no centro de Winterthur, e a coleção Oskar Reinhart “Am Röemerholz”.

Vincent Willem van Gogh (1853-1890), pintor holandês, só foi reconhecido como gênio após sua morte. No começo da carreira, tentou ser negociante de arte, mas não teve sucesso, pois recusou-se a ver a arte como mercadoria. Bem jovem, Van Gogh deixou a Holanda e estabeleceu-se na França. Sua vida foi repleta de crises que revelavam sua instabilidade mental. Suicídiou-se aos 37 anos. Seu trabalho inspirado no impressionismo e no pontilhismo, anuncia o fauvismo e o expressionismo.

Nesta tela, Van Gogh  representa o dormitório do Hôtel-Dieu, antigo hospital de Arles, onde foi hospitalizado entre dezembro de 1888 e maio de 1889, depois de ter cortado a orelha. O referido hospital foi construído nos séculos XVI e XVII. Em 1835,  foram levantadas novas alas, após uma epidemia muito grave de cólera. Vincent van Gogh representou esse hospital  em várias de suas pinturas. Por suas cartas, sabemos que o trabalho, iniciado com o tema em abril, foi concluído em outubro, no asilo de Saint-Rémy, para onde Van Gogh foi voluntariamente transferido. Na pintura observamos que a ala é composta de duas fileiras de camas separadas por um corredor muito longo. Na parte inferior há uma pequena porta (o ponto de fuga das linhas de perspectiva) encimada por um grande crucifixo. Vemos algumas freiras ocupadas, enquanto os doentes se reúnem ao redor do fogão no centro do corredor para se aquecer. Apenas uma cadeira à esquerda  está vazia. Van Gogh parece querer sugerir sua presença-ausência, como se tivesse se levantado por um momento para pintar a tela, ou como se quisesse testemunhar sua internação forçada e, consequentemente, seu auto-isolamento de outros pacientes.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 14.06.2020

 

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