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APRECIAÇÃO CRÍTICA DE UMA OBRA DE ARTE – Judith decapitando Holofernes (1612/1613) – Artemisia Gentileschi (1593-1656)

Apreciação crítica da obra de Artemisia Gentileschi (1593-1656) – Judith decapitando Holofernes (1612/1613)

A pintura “Judith decapitando Holofernes”, (1612/1613), de Artemisia Gentileschi (1593-1656), é um óleo sobre tela, 158,8 x 125.5 cm. Percence ao Museu de Capodimonte, Nápoles-Itália.

 

Artemisia Gentileschi nasceu em 1593, em Roma-Itália, e morreu em 1656, em Nápoles-Itália. Sua vida foi dramática. Aos 17 anos, foi violentada por Agostino Tassi, um assistente do ateliê de seu pai, o pintor Orazio Gentileschi, que era amigo pessoal de Caravaggio (1571–1610). Incompreendida e humilhada pelas pessoas e pela Igreja, ela partiu para Florença, onde encontrou uma vida vibrante no mundo das artes. Com o sucesso de suas obras, tornou-se a primeira mulher a entrar para a Academia de Arte de Florença. No ramo da pintura barroca, Artemisia é praticamente a única mulher mencionada. Ela dedicou-se a temas trágicos em que suas personagens femininas representam papeis de heroínas bíblicas como: Betsabeia, Esther, Lucrécia, Susana e Judith. Sua arte, que foi ofuscada pelos preconceitos da época em que viveu, hoje resplandece graças ao seu imenso talento. Artemisia, uma das maiores representantes do barroco, é vista também como um ícone do feminismo.

 

 

A tela “Judith decapitando Holofernes” (1612/1613) retrata uma passagem bíblica contada no “Livro de Judith”, um dos livros deuterocanônicos do Antigo Testamento da Bíblia Católica. Segundo o relato bíblico, Holofernes foi um general assírio, por volta de 158 e 157 a.C., comandado por Nabucodonosor, rei da Babilônia. Nabucodonosor o enviou para vingar-se das nações que haviam prejudicado seu reino. Quando Holofernes sitiou a Betúlia, Judith, uma viúva judia, o seduziu com sua beleza para depois embriagá-lo e decapitá-lo. Em seguida, ela regressou à Betúlia com a cabeça do general Holofernes e os judeus venceram o inimigo.

 

Na tela “Judith decapitando Holofernes”, Artemisia usa cores claras e um impressionante contraste de luz e escuridão, influência de Caravaggio.  Artemisia fez um autorretrato, para representar a Judith e um retrato de Tassi, para representar Holofernes. Mary Garrard, biógrafa de Artemisia, propõe uma leitura autobiográfica da pintura, como uma cartase da raiva de Artemisia pelo estupro sofrido por Tassi. Essa visão não é totalmente aceita pelos especialistas em história da arte.

 

A pintura com jorros de sangue é realista, física e chocante. A cena mostra o momento da decapitação, em um plano de fundo macabro. Com expressões frias, Artemisia e a serva exercem a ação com força e habilidade, enquanto Holofernes se contorce acordando da embriaguez. Os gestos e a aparência das figuras são fortemente expressivos. Segundo Nancy Heller, Judith é representada por uma mulher dotada de uma força física descomunal. Ela segura o cabelo de Holofernes com uma mão e passa a espada no pescoço com a outra mão. O sangue abundante escorre pelos lençóis brancos. A espada usada tem uma forma de cruz, uma alusão ao cristianismo. Na segunda versão, o bracelete de Judith tem duas imagens visíveis que representam Diana (Artemis), deusa da caça e dos animais. A serva que ajuda a Judith é empurrada, em vão, pelo Holofernes. A Judith está concentrada com as mangas arregaçadas e o sangue respinga em seu corpo.  A composição da pintura é clássica, com a espada no centro inferior da tela.

 

Artemisia Gentileschi pintou duas versões deste quadro: uma está no Museu Nazionale di Capodimonte, em Nápoles-Itália, e a outra na Galleria degli Uffizi, em Florença-Itália. A decapitação de Holofernes por Judith tem sido objeto de telas dos pintores: Donatello, Sandro Botticelli, Andrea Mantegna, Giorgione, Lucas Cranach, Caravaggio, Tiziano, Antonio de Pereda, Goya, Horace Vernet, Gustav Klimt, Hermann-Paul e Artemisia. A história de Judith e Holofernes também inspirou um poema medieval, a ópera de Mozart “Betúlia Liberata”, uma opereta de Jacob Pavlovich Adler.

 

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 14 de julho de 2020

 

 

dra. anaColuna Medicina, Cultura e Arte
Autora e Coordenadora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg, médica, historiadora, imortal da Academia Cearense de Medicina e conselheira do Jornal do Médico.

 

 

 

 

 

 

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