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Quais desafios atuais no diagnóstico e tratamento do câncer de mama?

Ao ler um artigo super interessante sobre de – escalonamento do tratamento do câncer de mama, onde nos mostra a evolução para diagnósticos mais precoces, respostas altas aos quimioterápicos, cirurgias mais conservadoras com perspectivas futuras de até não operar estas mulheres, fazendo apenas um seguimento monitorado, notamos um incrível avanço na ciência.

Ao contrastar tal informação com nossa realidade, me veio um sentimento de apreensão e esperança.
Temos excelentes profissionais de saúde (mastologistas ,cirurgiões plásticos , enfermeiros, oncologistas clínicos, radioterapeutas, fisioterapeutas, anestesistas, nutricionistas), no interior do estado do Ceará, na nossa capital, Fortaleza, e em todo o território nacional Brasileiro. Temos mamógrafos suficientes credenciados pelo SUS, nos planos de saúde e particulares. Temos uma população sensível, afetuosa, que sabe lidar com as dificuldades da vida. Temos universidades, com estudantes sedentos por conhecimento. Mas na prática, por que ainda temos tantos casos de câncer de mama? Por que tantos casos avançados? Temos dificuldades no acesso? Dificuldades nas cirurgias ? Dificuldades no inicio das quimioterapias e radioterapias? Médicos estimulados com salários e condições de trabalho dignos?

Quando falamos de câncer de mama muitos fatores e desafios estão envolvidos, além dos citados anteriormente: biologia tumoral (existem tipos de tumores mais agressivos e outros menos agressivos); tamanho tumoral (alguns tumores crescem rapidamente e outro não); fertilidade após diagnostico ( efeitos das drogas nos ovários podem diminuir fertilidade) gravidez pré, durante e pós câncer (tratamento muda conforme a idade da gravidez) câncer de mama no homem (comumente são diagnósticos em fases mais avançadas ) efeitos dos anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal (vários estudos abordando os riscos versus benefícios); fatores ambientais e estilo de vida (papel da nossa alimentação, exposição a gordura, álcool, cigarro, atividades físicas) e fatores genéticos.
Ao incentivarmos durante todo o ano e agora no outubro rosa, que nossas mulheres façam mamografia regularmente, que façam o auto exame e que procurem um profissional de saúde ou um especialista caso percebam alguma alteração nas suas mamas, estamos lutando contra uma forte correnteza , principalmente o medo de ser diagnosticada com um câncer. Dizem que na mamografia, a radiação poderia até provocar um câncer. Dizem que câncer não tem jeito; que a pessoa vai morrer se for diagnosticada. Dizem que terá que tirar a mama. Dizem que os profissionais de saúde não se importam . Dizem….. Dizem…. Dizem….

Será falta de conhecimento da nossa população? Mas há tantas campanhas todos os anos? Será falta de conhecimento dos médicos, pois sabemos das deficiências na formação? Mas há tantos meios e formas de se atualizar. Será falta de incentivo dos nossos governantes ao apoiar, dar condições e salários dignos aos nossos profissionais, pois fico perplexo ao ver nos dias atuais os salários oferecidos aos mastologistas que levam em media 6 anos de faculdade, somado a anos de residência em ginecologia, mastologia, pós graduação e no final serem oferecidos salários igual a um medico recém formado?

As vezes sou questionado: se existem leis de reconstrução, por que muitos locais não fazem? Será devido as ruins condições de trabalho, baixos honorários cirúrgicos e falta de equipamentos específicos?

Em meio a isso tudo, penso que há esperança. Que coisas melhores já estão acontecendo. Aqui, agora. Se analisarmos os tratamentos realizados há 15, 20 ou até nos últimos 100 anos, passamos de 30% (onde a mastectomia radical era a única opção) a 70% de sobrevida, podendo chegar até a 97 % em casos iniciais. Podemos com os novos equipamentos de imagem, realizar diagnósticos mais precoces e termos grandes chances de cura.  Nos dias atuais evitamos tratamentos cirúrgicos mais agressivos, principalmente em tumores menores ou que respondam bem as medicações quimioterápicas. Trabalhos científicos nos mostram que cirurgias conservadoras, associadas a radioterapia tem sobrevida semelhante ou até melhores que as mastectomias.

Na mama doente pode-se retirar o tumor e reconstruir a mama. Temos várias opções de reconstrução: com implantes; partes da própria mama; gordura retirada da barriga ou flancos; retalhos musculo glandular do abdômen ou dorso. Reconstruindo essa mama afetada, temos uma melhora da auto estima.

Vimos que o câncer de mama está relacionado com fatores ambientais. Se uma mulher praticar 30 minutos de atividade física diariamente, alimentando-se adequadamente, poderá reduzir de 20% a 30% seu risco. Se evitar bebida alcoólica e tabagismo, reduzirá ainda mais esse risco. Se faz mamografia após os 40 anos, e visita regularmente seu médico, poderá ter um diagnóstico precoce. Até se nenhuma alteração for encontrada, o profissional de saúde poderá usar medicações ou indicar cirurgias que diminuirão seu risco, em alguns casos específicos. Outro ponto importante é sensibilizar nossos governantes a valorizar o profissional de saúde. Estamos com mastologistas e toda uma equipe multidisciplinar qualificada, que está lutando pelo bem das mulheres que ele representa.

E apesar de todo esse esforço, se for diagnosticado um câncer em estágio muito avançado, conseguiremos nos juntar na dor desta mulher. Temos potencial de utilizar todo o arsenal de tratamento disponível e não desistir. Podemos rezar ou orar por ela. Confortar sua família.

Todos somos capazes de ser essa pessoa humana, que ainda se importa com a dor do outro , que mesmo com as dificuldades da vida, ser sinal de esperança ao mundo.

 

Sobre o autor:

Dr Emanuel Filizola é Mastologista do GEEON, além de ser Membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e Mestre em Educação em Saude

 

 

 

 

 

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