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Apreciação Crítica da obra de Francisco de Goya – Difteria (1812)

Descrição Técnica

Autor –  Francisco de Goya y Lucientes (1746-1828)

Título –  Difteria – El garrotillo(El lazarillo de Tormes)

Data – 1812

Técnica – óleo sobre tela

Dimensões – 80 cm × 65 cm

Localização Coleção particular (Colección Araoz, Madrid -España)

 

Francisco José de Goya y Lucientes, conhecido como Francisco de Goya, pintor e gravador, nasceu em 30/03/1746,  em  Fuendetodos, Espanha, e morreu, em 16/04/1828, em Bordeaux, França, com 82 anos.

Goya, com seu trabalho em murais, gravuras, desenhos e pintura de cavalete, iniciou a pintura contemporânea, antecipando vários movimentos. A arte goyesca é, portanto, considerada a precursora da vanguarda pictórica do século XX.

Em 1770, depois de um aprendizado com o barroco tardio em sua terra natal, ele viajou para a Itália e entrou em contato com o neoclassisismo, adotando-o ao retornar para Madrid.

Em 1793, contraiu uma doença grave que o fez se aproximar de pinturas mais criativas e originais, refletindo os caprichos da história de seu tempo, especialmente, as convulsões das guerras napoleônicas na Espanha.

No final do conflito franco-espanhol, Goya pintou duas grandes telas sobre o levante de maio de 1808. São pinturas históricas que, além de fornecerem informações sobre os acontecimentos vividos pelo pintor, lançam uma mensagem de humanismo universal.

Na tela em pauta, Goya retrata um homem de aspecto bizarro, bigode preto, nariz comprido, olhos quase fechados, sentado, fixando um menino, em pé, entre as pernas. Sua mão esquerda segura firmemente o pescoço do menino, enquanto ele usa os dedos indicador e médio da mão direita para pressionar-lhe a língua. Atrás do menino, há uma lareira.

Em vários livros de história da Medicina e em alguns catálogos sobre as obras de Goya, esta pintura é intitulada: Curacion de1 Garrotillo (Tratamento da Difteria). Este título nunca foi dado por Goya. A afirmação de que Goya retrata um médico examinando a garganta de uma criança é falsa. Na verdade, esta pintura ilustra uma cena do romance picaresco do século XVI “Lazarillo de Tormes”.

Em 20/02/1964, Nigel Glendinning escreveu, no The Listener, que o homem de aparência desagradável não é um médico, mas o primeiro mestre de Lazarillo, o mendigo cego.

A mudança do nome da tela foi feita por um conhecido médico espanhol, Gregorio Maranon (1887-1960), que se tornou um dos donos da pintura.

O Dr. Maranon interpretou esta cena como o tratamento da difteria praticado na época de Goya: a cauterização (lareira!)  e rebatizou o quadro como “El garrotillo”, nome popular da difteria na Espanha, que, como um garrote, provoca compressão do pescoço, produzindo uma asfixia lenta.

“El garrotillo“, seja uma interpretação errada ou não, nos coloca em contato com alguns fatos que eram quotidianos até recentemente: a existência de doenças infecto-contagiosas que, felizmente, hoje, com as vacinas e antibióticos foram banidas e, ou,  controladas.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

 

Fortaleza, 01/10/2020

 

dra. ana

 

 

Coluna Medicina, Cultura e Arte
Autora e Coordenadora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg, médica, historiadora, imortal da Academia Cearense de Medicina e conselheira do Jornal do Médico.

 

 

 

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