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O idoso e a vulnerabilidade em saúde diante da pandemia

Confundida com risco, precariedade, suscetibilidade e até mesmo como probabilidade de um sujeito vir a desenvolver ou ter complicações quando há outras condições crônicas e agudas de saúde, a vulnerabilidade em saúde, na verdade, não é sinônimo destas. Não existe relação de causa e efeito quando se trata desse tema. Vimos isso na atual pandemia.

A pandemia da COVID-19 acentuou, em contexto mundial, discussões voltadas para o campo da vulnerabilidade em saúde, contextualizada como relação constante entre pessoas e o meio social na qual vivem. Com isso, o conhecimento sobre vulnerabilidade em saúde é essencial para o enfrentamento da COVID-19, pois pode agravar, por questões inerentes a aspectos individuais, a doença.

Há publicações científicas de âmbito interdisciplinar sobre a vulnerabilidade em saúde em diversos contextos de ciclos de vida e níveis de saúde, mas poucos envolvendo o impacto causado pela pandemia em idosos. Diante dos aspectos relacionados à mortalidade e fatores de risco da COVID-19, os idosos tornaram-se o foco das discussões. Durante a pandemia, instituições e governos tomaram uma série de medidas com o intuito de diminuir a propagação do vírus, como isolamento e distanciamento social.

Tais medidas acarretaram problemas, principalmente relacionados à saúde mental dos idosos, pois muitos se sentem ‘’abandonados’’. Além disso, os arranjos familiares são vistos com mais atenção nesse período, pois há idosos que cuidam de outros idosos, há outros que moram sozinhos e há também aqueles que vivem em Instituições de Longa Permanência. O isolamento ou distanciamento social destes indivíduos pode provocar perdas cognitivas e motoras graves.

Por serem considerados indivíduos que podem estar em situação de vulnerabilidade (erroneamente colocados como população vulnerável), a cultura familiar, a situação socioeconômica, a violência, o acesso a direitos fundamentais, redes e suporte social, o gênero e até mesmo aspectos programáticos da saúde caracterizam situações de vulnerabilidade em saúde, que podem ser fatores que ajudam a agenciar ou potencializar esse contexto.

Diante disso, o olhar mais crítico para as questões que envolvem vulnerabilidade em saúde nessa população deve ser aprimorado, específico, reflexivo para entender como ela vai refletir no cuidado aos idosos e potencializar o cuidado da equipe multidisciplinar a esses sujeitos.

Assim, com as perspectivas de uma vacinação em massa, o olhar ao idoso em situação de vulnerabilidade em saúde não deve parar. A pandemia ainda não acabou e tem levantado inquietações que, inclusive, ajudaram a criar intervenções em saúde que, apesar de suas limitações, fizeram diferença na vida de idosos em situação de vulnerabilidade no contexto da COVID-19.

 

Autor:

Samir Gabriel Vasconcelos Azevedo

Mestrando em Saúde Coletiva na UECE

 

 

 

 

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